Bluff ou há que dar corda às sapatilhas?

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O ME entregou a última proposta de alteração ao ECD fazendo tábua rasa da negociação em matérias consideradas relevantes para os professores. Refiro-me às questões relativas ao ingresso na carreira, à mobilidade e à esotérica possibilidade de funcionários públicos poderem vir a dar aulas e fazer de conta que são professores depois de uma eventual vassourada noutros serviços públicos.

A reacção da FNE e da FENPROF foi imediata e a condenação da proposta foi de tal modo veemente que ninguém ficou com dúvidas de que a iniciativa a ser concretizada significaria o golpe final nas relações entre o ME e os principais representantes dos professores.

Não acredito que esta encenação passe disso mesmo: de uma encenação que visa ganhar espaço negocial. Para quê? Simples:

1. O ME apalpa o pulso dos sindicatos lançando o barro à parede em matérias que fazem parte da sua agenda neoliberal mas que ainda poderão ser adiadas para outras núpcias;

2. O ME ousa distrair os professores e a opinião pública redireccionando o foco da discussão para novos assuntos porque pretende conservar inalteráveis os temas mais fracturantes das propostas anteriores;

3. Os sindicatos querem retomar as negociações porque lhes falta o apoio necessário a uma luta mais reactiva;

4. Os sindicatos pressionam o governo ao preestabelecerem um cenário de contestação que é imprevisível ao nível dos resultados políticos.

Direi que se trata de um bluff negocial. A não ser que esteja enganado, obviamente. E então, meus amigos, há que calçar as sapatilhas porque ainda temos muito para andar… ou descer a avenida, ou passear junto ao mar para espairecer e fazer de conta que não se passa nada!

One thought on “Bluff ou há que dar corda às sapatilhas?

  1. Miguel,
    a experiência histórica de entregar nas mãos das finanças a resolução dos problemas políticos do país levou-nos a 40 anos de miséria e obscurantismo.
    Parece que há quem queira repetir a história, ou dela se queira esquecer.
    A norma proposta no artigo 73º, 1 – O exercício de funções docentes a tempo inteiro em agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas pode ser assegurado por outros trabalhadores em funções públicas que preencham os requisitos legalmente exigidos para o efeito, é reveladora da insensatez técnica que presidiu à decisão política e só se pode entender porque quem nos governa não está preocupado com a qualidade técnica das suas decisões e o respectivo impacto social.
    http://fjsantos.wordpress.com/2010/03/17/abril-1928marco-2010-havera-semelhancas/

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