BASTA!

Durante a manhã desloquei-me a Vagos para seguir o Nacional de Corta-Mato do Desporto Escolar e apoiar dois alunos da minha escola. Ainda tive tempo para conversar com colegas que acompanharam alunos de várias escolas ao longo destes dois dias. Dormiram no chão, dentro de uma sala de aula, em condições lastimáveis: É assim que os responsáveis pelo Desporto Escolar albergam os professores e alunos. São tratados como meros figurantes de uma festim que serve em primeiro lugar para dilatar os egos de autarcas e responsáveis políticos que se entretêm a petiscar o croquete e o bolinho de bacalhau na tenda VIP.

Nenhum dos colegas com os quais conversei disfarçaram o incómodo e todos me confidenciaram que, nestas condições, BASTA!

É também por esta triste realidade de Terceiro Mundo, aquela realidade que se encontra atrás do biombo dos eventos faraónicos, que não rompemos como o nosso atraso educacional e cultural.

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8 thoughts on “BASTA!

  1. Cristina Ribas 14/03/2010 às 00:12 Reply

    Miguel!
    Valorizo muito o trabalho dos professores de Educação Física que, mesmo tendo em conta que têm o desporto escolar na componente lectiva, são incansáveis na realização de actividades com os alunos (e não só dentro do horário como está bom de ver…) e também na forma como lidam com os alunos.

    estas condições, tanto para professores como para alunos, são inadmissíveis!
    Um abraço

    • Miguel Pinto 14/03/2010 às 01:06 Reply

      Cristina, nem todo o desporto escolar entra na componente lectiva. Paradoxalmente, a prioridade do desporto escolar, que é a actividade interna, não entra na actividade lectiva. As actividades que mais alunos mobilizam, as actividades mais inclusivas do desporto escolar, são realizadas ou no tempo de trabalho de escola ou no tempo de trabalho individual do professor. Só as actividades de treino para a competição em quadros competitivos organizados pela “máquina do DE” fazem parte, e bem, da componente lectiva.
      Um abraço e obrigado pela afabilidade.

      • Cristina Ribas 14/03/2010 às 23:48 Reply

        Obrigada, Miguel, pelo esclarecimento.
        Se nós que estamos na escola, não sabemos todos estes “pormenores”, como o vão saber pessoas exteriores à escola? Há tanto para mudar…
        Um abraço

  2. Paulo G. Trilho Prudêncio 14/03/2010 às 12:33 Reply

    Viva Miguel.

    Inadmissível. Estive uns anos na coordenação do desporto escolar e batia-me sempre contra essa prática: ou havia alojamento condigno ou não havia competição.

    Muito lamentável.

    Abraço.

  3. fjsantos 14/03/2010 às 12:50 Reply

    Miguel,
    há mais de cinco anos que deixei de dar para esse peditório.
    Houve um tempo em que achava que a minha participação nessa farsa podia contribuir para que os jovens tivessem acesso a uma prática competitiva com melhor enquadramento pedagógico.
    Houve ainda outro em que colaborei, porque as horas de redução da componente lectiva permitiam libertar horários para os professores mais novos, em início de carreira.
    Mas a farsa atingiu proporções tais que qualquer colaboração se tornou impossível.
    Para mim o desporto escolar, como sempre entendi a sua necessidade e valor, está morto e enterrado há muitos anos.

  4. motta 14/03/2010 às 13:01 Reply

    Não posso estar mais de acordo com o post e os comentários.
    Só não percebi bem, ainda, porque razão há alguns dias o Miguel me pareceu algo incomodaddo por umas alfinetadas que “amandei” ao DE!
    O problema, digo eu, não está só na super-estrutura. “Cá em baixo” também há muita protecção ao modelo. Aliás, só assim ele sobrevive.

    • Miguel Pinto 14/03/2010 às 14:33 Reply

      motta,
      pensei que dissera o que faltara dizer na resposta às tuas alfinetadas. Não direcciono os meus ataques aos colegas (embora haja sempre alguém a usar o DE para fins perversos, uma minoria) porque os motivos são, normalmente, aqueles que o fjsantos enunciou e que não me merecem reprovação. O problema maior do DE é o modelo de prática piramidal que lhe está subjacente e que impede o DE de cumprir um dos seus desígnios: o desporto escolar deve ser tangível, de facto, para TODOS. Enquanto o DE servir de feira de vaidades para algumas “personalidades” e um trampolim para outros ex-praticantes frustrados, não deixarei de dizer o que me vai na alma.

    • Cristina Ribas 14/03/2010 às 23:49 Reply

      Olá motta!
      É bom “ver-te”.
      Um beijinho (ps)

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