Mais Família e mais Escola

A sociedade do mediatismo e do efémero tolhe-nos o discernimento. A própria blogosfera caracterizada por uma escrita reactiva, em cima do acontecimento ou até antecipando o próprio acontecimento, alinha muitas vezes por este lamiré porque cavalga na notícia sem a devida reflexão, sem o devido distanciamento, bom para o sound bite, mau para o esclarecimento. Mea culpa, obviamente!

O caso do Leandro, a criança que presumivelmente se terá suicidado em Mirandela vítima de bullying, é o mais recente exemplo de como uma tragédia acaba triturada pela comunicação social sem que nada de substantivo seja realizado para atacar as causas dos problemas. E, a meu ver, os problemas são dois: o suicídio infanto-juvenil e o bullying.

As causas são normalmente multifactoriais como escreveu, e bem, o PGuinote, e a solução passará por intervenções a vários níveis e com várias instâncias de responsabilidade. É uma pena que o governo e os partidos políticos com representação parlamentar não estejam interessados em discutir estas questões imbuídos de um espírito reformista e aberto, demonstrando disponibilidade para rever as suas políticas sectoriais, nomeadamente, as políticas sociais de apoio às famílias e inverter o sentido das políticas da educação que são cínicas, a meu ver, porque se resguardam atrás de uma retórica inclusiva quando defendem uma escola que renega a sua função educativa. Quem defende uma escola que renega a sua função educativa estará agora muito mais preocupado em agir nas consequências que prevenir as causas. Como se o bullying estivesse confinado ao espaço escolar, como se o suicídio infanto-juvenil não tivesse que ver também com a contradição de valores que se vão escapando pela vida destes jovens.

Porque me preocupam as potenciais vítimas, estou inquieto. Mesmo que se encontrem bodes expiatórios para esta tragédia, mesmo que os agressores, a família e a escola fossem responsabilizados pela acção e pela inacção, quantas vítimas potenciais há que evitar?

De que adianta apontar o dedo quando à nossa frente temos um espelho?

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2 thoughts on “Mais Família e mais Escola

  1. Cristina Ribas 07/03/2010 às 17:14 Reply

    Excelente texto, Miguel!

  2. IC 10/03/2010 às 15:13 Reply

    Miguel, subscrevo este teu texto.

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