A Escola do Leandro

O caso Leandro fará regressar a Escola ao centro do debate, não só na comunicação social como na blogosfera. A tragédia irá ser dissecada nas suas causas mais próximas porque há que tomar medidas cautelares para retardar a ocorrência de outras vítimas, mas é bem provável que a discussão seja guiada para um nível mais geral onde poderá ser questionada a finalidade da escola.

E sem me perder em derivas conceptuais, irei directamente à questão provocatória:

Será indiferente saber a finalidade da escola para se discernir o grau de responsabilidade da organização em tragédias desta natureza?

Afunilando a questão: Uma Escola que Educa terá mais responsabilidades do que uma Escola que se preocupa fundamentalmente com o Ensino?

O meu balanço da greve: Este o tempo de carpir as mágoas!

Aderi a todas as greves que foram decretadas e em todas encontrei motivos para a grandeza da contestação. Em todas as greves que realizei senti justeza no protesto e por isso saí, uma vez mais, depurado.

Por se tratar de algo que tem que ver com a consciência profissional e, como escrevia um comentador num texto mais em baixo, com a mundividência de cada um, o número, o resultado, ou a contagem das espingardas, só adquirem importância no momento em que o meu problema for o problema do grupo e da organização à qual pertenço – funcionário público com um estatuto especial… mas cada vez menos.

Olhando para o problema sob o ponto de vista organizacional, é provável que os resultados traduzam mais um gemido do que um rugido. Aliás, gemer e lastimar é o estado normal dos professores face ao estado da educação. O que é uma pena porque no momento em que os professores rugiram fizeram tremer o sistema e imobilizaram as políticas de desqualificação profissional. O problema é que os professores rugem só em duas ocasiões: quando sentem ameaçada a sobrevivência profissional; e quando procuram a manutenção de um estado de sanidade mínima.

Este é o tempo de carpir as mágoas!