Comunicado dos movimentos: Mais um tiro na água.

Como já se percebeu nas entradas que tenho escrito sobre este assunto, considero o comunicado dos movimentos um verdadeiro manual de como fugir com o rabo à seringa. E considero que é um comunicado falacioso principalmente pelo que ele não diz porque há, efectivamente, muito para dizer e não se disse. Por exemplo, que lugar querem ocupar os movimentos na vida dos professores, isto é, o que querem fazer da vida? Ser mais um sindicato, uma ordem, um grupo de amigos que gosta de tertúlias, um meta blogue ou um meta movimento de professores? Creio que me estou a repetir porque, se bem me lembro, há muito tempo que espero a resposta clara à pergunta: quem sois e para onde ides(?)… porque se houver lugar até pode ser que me apeteça ir também.

2. as questões salariais nunca foram o ímpeto da mobilização dos professores e seria um mau sinal que a justíssima luta dos professores pudesse ser confundida, pela opinião pública, com reivindicações de natureza salarial, particularmente num período em que a situação económica da maioria das famílias portuguesas passa por dificuldades, em muitos casos dramáticas;

Mas o que me trás aqui não é bem o problema existencial dos movimentos. É mais o problema do malfadado comunicado não traduzir aquilo que eu penso que são as suas verdadeiras razões da não adesão à greve. Mais grave do que isso, até porque nestas coisas da política esconder uma verdade parece ser a regra do negócio, mais grave do que isso, repito, é desvalorizar razões que são relevantes para a esmagadora maioria dos professores. E posso garantir que é a esmagadora maioria dos professores porque tenho um sondómetro na minha escola (e se duvidam da eficácia deste instrumento experimentem testá-lo na vossa) que me permite afirmar o que afirmei sem receio de errar.

Se as questões salariais não fossem relevantes, e se o ímpeto da mobilização dos professores não tem que ver com questões salariais, para quê evocar os imbróglios nos acessos a escalões superiores, o tempo de permanência variável entre escalões, as cotas… enfim, se o ECD não mexesse com as questões salariais, estou mesmo a ver o ímpeto das mobilizações dos professores. Ou melhor, não via.

É precisamente pelo cinismo de um governo, que tem sistematicamente exigido sacrifícios salariais aos professores (não há que escamotear esta verdade) pela via do congelamento das carreiras ou/e congelamento dos salários, que desqualifica a função através da desvalorização salarial. O que devem fazer os professores? Devem reclamar e exigir que o salário docente seja consentâneo com a relevância social da profissão. Mais nada!

Sendo o professor um profissional de cultura, um agente cultural, ao qual o Estado devia, repito, devia, facultar o acesso gratuito a todas as manifestações culturais, só a demagogia é que permite dizer que há famílias necessitadas e que por isso os professores devem dar-se por satisfeitos com a sua situação económica.

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