Ninguém entendeu o comunicado dos movimentos.

Levo muito a sério o comunicado dos movimentos independentes de professores, APEDE, MUP e PROmova, a demarcarem-se da greve de professores agendada pelos sindicatos para o próximo dia 4 de Março, a que fiz referência mais em baixo.

Levo o comunicado muito a sério porque as razões que são invocadas para a não adesão à greve são, na sua maioria, razões de fundo, embora só me dê para mencionar as razões superficiais.

Lê-se no ponto 1: “ninguém compreende que escassas semanas após a celebração de um Acordo entre sindicatos e ME, que passou para a opinião pública uma mensagem de entendimento e pacificação (mesmo que ilusória), os sindicatos se venham agora envolver na forma de luta mais extrema, ao mesmo tempo que continuam a negociar com o ME, (…)“

Como eu sei que sou ninguém, este ponto é-me directamente dirigido. Eu, ninguém, compreendi que é possível fazer um acordo sobre um conjunto de matérias e, simultaneamente, lutar pelas matérias que não foram objecto do acordo. Compreendi que as partes envolvidas no Acordo declararam no final das negociações que havia matérias sobre as quais não foi possível entendimento. Percebi que os sindicatos iriam continuar a lutar porque é essa a sua obrigação enquanto representantes legítimos dos professores. Percebi também que os sindicatos não se haviam comprometido a baixar os braços e fazer tábua rasa das suas reivindicações anteriores.

Simples, não é verdade?! Ou melhor, simples de entender para alguém que é ninguém. Portanto, podem crer que ninguém entendeu o comunicado.