Informação é poder.

PE A Parque Escolar, a empresa pública responsável pelo Programa de Modernização do Parque Escolar, reservou às direcções executivas a discussão e eventual participação apenas para os planos de pormenor.

É inegável a urgência de uma intervenção nas escolas face à degradação do parque escolar. Não coloco em causa, obviamente, a pertinência da decisão do governo mas sinto que esta intervenção de fundo nas escolas secundárias poderá ser uma oportunidade perdida na transformação de um modelo de escola baseado num sistema de repetição para um modelo de escola fundado num sistema de produção de saberes. Distingue-se o primeiro sistema do segundo pela introdução de um elemento qualitativamente diferente: o centro de recursos passaria a representar a inversão da lógica do espaço escolar. Isto para dizer que é evidente que as infra-estruturas condicionam a dinâmica de trabalho e a tipologia dos modos de trabalho pedagógico. E o tipo de intervenção que está a ser realizada nas escolas necessitava de uma outra intervenção que não se limitasse apenas a recuperar os espaços degradados. Não deveria ser uma intervenção neutra na medida em que é cada vez mais urgente uma alteração das lógicas de aceder e construir o saber, pelos alunos e professores.

Acompanho o programa de recuperação das escolas pela imprensa e procuro obter informações sobre o assunto junto da direcção executiva da minha escola, que será uma das escolas candidatas à requalificação. Considero que este assunto é demasiado importante para estar reservado às mentes iluminadas da empresa Parque Escolar e às direcções executivas, longe, portanto, das agendas e dos olhares dos professores. Com a proximidade que me é permitida pelas entidades responsáveis, é por demais evidente o secretismo em torno destes projectos. O que vem confirmar o pensamento de Crozier: nas organizações sociais “a informação é poder, e por vezes […] o instrumento essencial do poder”. Não partilhar a decisão e, ainda mais grave, não partilhar a informação, são dois indícios que denotam um modo obtuso de olhar para a escola pública, cada vez menos democrática.