Santana Castilho, o profeta.

O Luís Costa, no blogue Dardomeu (ler AQUI) lançou o desafio aos partidos: quem apresentar e se comprometer eleitoralmente com o nome de Santana Castilho (SC) para ministro da Educação contará com o seu voto, não necessitando de escrever mais nenhuma linha programática sobre Educação.

image Santana Castilho tem sido uma voz crítica às políticas erráticas do senhor Pinto de Sousa. Ao longo dos últimos anos de governação socialista, SC mostrou-se um excelente aliado dos professores na luta contra as aberrações legislativas produzidas pelo ME e nenhum professor deixará de reconhecer a importância das suas crónicas, normalmente bem fundamentadas, na alteração do senso comum a respeito da imagem dos professores. SC aproveitou com mestria a passerelle da comunicação social durante este período funesto para o sistema escolar e os professores. O maior contributo de SC para a causa do professorado terá sido o aclaramento do óbvio para quem está (ou já esteve) no terreno, mas que é demasiado fosco para aqueles que falam da escola a partir de dois quadros de referência: as experiências pessoais vividas nos bancos de escola e os testemunhos veiculados pel@s herdeir@s que ainda a frequentam.

Dito isto, e ficando claro que tenho um elevado apreço por SC, fico perplexo se a discussão que o LCosta suscitou, e que mereceu desde logo uma adesão espontânea de alguns bloggers e comentadores, é para ser levada a sério, ou se é um daqueles exercícios académicos que não escapam numa boa tertúlia de compinchas.

Admitindo a minha perplexidade, isto é, acabo por aceitar a primeira hipótese, por reduzirmos estas questões a uma questão de fé, não entendo como é que um ministro pode defender uma política sectorial desfasada da política global de um governo. A não ser que prevaleça a crença de que é exequível uma política monocromática sectorial, o que a acontecer isso revelaria, como direi sem ofender, uma deliciosa candura de quem assim pensa. E por falar em candura, o exemplo do PSD e o modo como este partido geriu as suas promessas eleitorais dever-nos-ia levar a pensar que a coisa política não deve misturar-se com o religioso. Mas isto sou eu, um incorrigível herege, a pensar em voz alta.

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PS (salvo-seja): Ao jeito de provocação, não deixa de ser curioso ver o Octávio, um defensor anti-rebanho quando se trata das questões sindicais, assumir agora a sua lealdade a um pastor da causa do professorado.

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2 thoughts on “Santana Castilho, o profeta.

  1. fjsantos 20/01/2010 às 20:49 Reply

    Miguel,
    também eu reconheço o papel importante que SC teve ao usar o palco mediático para que os professores passasem a ter voz no espaço público. Mas por aí me fico.
    Bem sei que não é fácil contestar a “voz de um deus”, mas ainda assim sinto-me compelido a fazê-lo.
    Trata-se de um dever cívico.
    http://fjsantos.wordpress.com/2010/01/20/contestacao-dos-argumentos-de-santana-castilho/

  2. Octávio V Gonçalves 21/01/2010 às 19:18 Reply

    Olá Miguel,
    Não tem nada de curioso. Trata-se de coincidência total de ideias e concepções sobre Educação. Parece-me até normal que as pessoas apoiem ou elogiem aqueles com quem se identificam no plano das ideias e dos princípios. Ou não será?
    E nada tem a ver com espírito de rebanho. Aliás, apoiar-te-ia a ti próprio se defendesses e representasses o que SC defende e representa e se tivesses alguma hipótese de vir a ser ministro da Educação. E quem diz a ti, diz outra pessoa.
    Se leres o meu post na totalidade, tal não significa necessariamente uma ligação ao PSD (votaria em qualquer partido), pois SC é uma pessoa independente que não é líquido que viesse a integrar apenas uma lista do PSD.
    Aliás, como votaria até em Paulo Rangel para primeiro-ministro, assumidamente (porque a gente tem que votar em alguém, não é?). Porque as pessoas fazem a diferença em relação às políticas. Ou acreditas que o PS tinha levado avante esta hostilidade contra os professores se, em vez de Sócrates, fosse A. José Seguro (por exemplo) o primeiro-ministro. Tenho a certeza que não.
    E, depois, já por várias vezes estive no rebanho a apoiar os sindicatos, sempre que eles diziam defender o que eu defendia. As duas únicas vezes em que divergi da Fenprof foi na assinatura do memorando de entendimento e, agora, do Acordo. Como tal, não, propriamente, nem falta de fé nem fobia a rebanhos. Por vezes, assaltam-me umas dúvidas, como a qualquer mortal que pensa pela sua cabeça, umas vezes melhor e outras vezes pior. É a vida.
    Um abraço,
    Octávio

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