Santana Castilho, o profeta.

O Luís Costa, no blogue Dardomeu (ler AQUI) lançou o desafio aos partidos: quem apresentar e se comprometer eleitoralmente com o nome de Santana Castilho (SC) para ministro da Educação contará com o seu voto, não necessitando de escrever mais nenhuma linha programática sobre Educação.

image Santana Castilho tem sido uma voz crítica às políticas erráticas do senhor Pinto de Sousa. Ao longo dos últimos anos de governação socialista, SC mostrou-se um excelente aliado dos professores na luta contra as aberrações legislativas produzidas pelo ME e nenhum professor deixará de reconhecer a importância das suas crónicas, normalmente bem fundamentadas, na alteração do senso comum a respeito da imagem dos professores. SC aproveitou com mestria a passerelle da comunicação social durante este período funesto para o sistema escolar e os professores. O maior contributo de SC para a causa do professorado terá sido o aclaramento do óbvio para quem está (ou já esteve) no terreno, mas que é demasiado fosco para aqueles que falam da escola a partir de dois quadros de referência: as experiências pessoais vividas nos bancos de escola e os testemunhos veiculados pel@s herdeir@s que ainda a frequentam.

Dito isto, e ficando claro que tenho um elevado apreço por SC, fico perplexo se a discussão que o LCosta suscitou, e que mereceu desde logo uma adesão espontânea de alguns bloggers e comentadores, é para ser levada a sério, ou se é um daqueles exercícios académicos que não escapam numa boa tertúlia de compinchas.

Admitindo a minha perplexidade, isto é, acabo por aceitar a primeira hipótese, por reduzirmos estas questões a uma questão de fé, não entendo como é que um ministro pode defender uma política sectorial desfasada da política global de um governo. A não ser que prevaleça a crença de que é exequível uma política monocromática sectorial, o que a acontecer isso revelaria, como direi sem ofender, uma deliciosa candura de quem assim pensa. E por falar em candura, o exemplo do PSD e o modo como este partido geriu as suas promessas eleitorais dever-nos-ia levar a pensar que a coisa política não deve misturar-se com o religioso. Mas isto sou eu, um incorrigível herege, a pensar em voz alta.

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PS (salvo-seja): Ao jeito de provocação, não deixa de ser curioso ver o Octávio, um defensor anti-rebanho quando se trata das questões sindicais, assumir agora a sua lealdade a um pastor da causa do professorado.