Os aguadeiros da desgraça

(Nicolau Santos –Expresso) nicolau

As opiniões desfavoráveis sobre o acordo veiculadas por jornalistas e outros fazedores de opinião afectos ao governo valem o que valem. Direi o mesmo das opiniões que sopram em sentido contrário, como é a paradoxal opinião do Sr. Engen… oopss, do Sr. Pinto de Sousa que já veio dizer que fez um bom acordo e que ganhou a batalha contra os sindicatos (se não o disse deste modo a coisa andou por lá perto).

Claro que este tipo de opiniões não devem formatar o juízo dos professores, porque um profissional qualificado, como é um professor, tem por hábito beber nas fontes ao invés de beber pelo copo de aguadeiros que infectam as páginas dos jornais.

Não deixa de ser curioso verificar que havia uma espécie de trégua velada dos arautos neoliberais acólitos do governo, que agora decidem vir a terreiro defender a tese catastrofista de que o défice das contas públicas vai sofrer um rombo com este acordo com os professores.

Também por isto, mas principalmente pela substância do que foi acordado,  considero positivo os sindicatos terem interrompido a luta com ganhos para os professores. É para mim claro que houve um boa capacidade de interpretação do mosaico fluído em que se joga a decisão política. Talvez tenha sido esta a razão pela qual os articulistas que apadrinharam as medidas de Maria de Lurdes Rodrigues se sintam defraudados pela inversão do sentido das reformas e apareçam agora a lamber as feridas em público.

Lamento, meus caros…

Adenda: Olha, olha, eles aí estão! Os arautos neoliberais que aplanaram o caminho para a anterior equipa do ME regressam cheios de força repetindo a tese das benesses e das mordomias para os professores. Será que ainda vende o conto do vigário?

in: http://ocantinhodaeducacao.blogspot.com/2010/01/os-professores-so-querem-dinheiro.html

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2 thoughts on “Os aguadeiros da desgraça

  1. IC 18/01/2010 às 23:17 Reply

    Como estou fora da escola e já nem sequer percorro a blogosfera docente pois perdi a paciência para caixas de comentários repletas de venenos (e erros de ortografia), quase sempre dos mesmos comentadores, não conheço o essencial: a opinião dos professores e a sua reacção, positiva ou negativa, ao acordo. Dizes “um profissional qualificado, como é um professor, tem por hábito beber nas fontes ao invés de beber pelo copo de aguadeiros que infectam as páginas dos jornais”, mas… hum… esse bom hábito nunca foi muito generalizado.
    Poderias escrever sobre o que conheces, no terreno, dos efeitos do acordo nos professores e no clima de escola?

  2. Miguel Pinto 18/01/2010 às 23:21 Reply

    Eu que nem sou dado a esoterismos, IC, isto terá sido transmissão de pensamento. Acabei agora mesmo de editar um post em que, de modo telegráfico, faço a cartografia do meu terreno. 🙂

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