Navegar na onda do descontentamento e a correcção das iniquidades.

O acordo assinado pelos sindicatos mais representativos de professores e o ME é um Bom acordo por três razões fundamentais:

1. Permite estagnar uma tendência de degradação do estatuto socioprofissional dos docentes;

2. Recupera o conteúdo funcional dos professores e faz da docência o cerne da profissionalidade (a carreira única);

3. Permite recuperar algumas perdas face ao actual ECD (de 2007 e 2009).

A transferência do palco negocial para o parlamento seria positivo para os professores se o acordo parlamentar gerasse um consenso mínimo entre os partidos da oposição que têm visões antagónicas da escola e da função docente. Ora, sendo esta uma hipótese inverosímil face à “dança” parlamentar, era muito provável a balcanização da oposição através da apresentação de soluções avulsas que seriam, como o foram anteriormente, obstaculizadas pelos restantes partidos. O acordo PSD/PS seria inevitável atendendo à responsabilidade do PSD no adiamento da solução e o acordo entre estes dois partidos políticos, cujas políticas neoliberais são por demais conhecidas, não augurariam nada de bom.

Predizer uma solução parlamentar, que vergasse o PS impondo-lhe uma solução que aprouvesse as reivindicações dos professores, é um exercício demagógico que visa navegar na onda da insatisfação dos professores em geral e dos mais prejudicados em particular. Percebo que alguns movimentos de professores e um conjunto de sindicatos menos representativos de professores tenham cedido à tentação de capitalizar o descontentamento geral, mas nenhuma destas organizações estará em condições de afirmar a garantia de uma solução mais vantajosa para os professores em consequência de um acordo parlamentar entre os partidos da oposição.

Apesar de me congratular com a solução negociada, não me resigno com as iniquidades que o acordo global não foi capaz de resolver. O Ricardo do blogue ProfLusos formula uma questão que faz parte de um pacote de assuntos a sugerir a acção protestativa durante as futuras negociações com o ME: O que irá acontecer em questões de reposicionamento aos colegas contratados que entretanto (ou seja, em 2011) consigam entrar em Quadro de Escola não agrupada ou Quadro de Agrupamento?

A questão pode ser, a meu ver, simplificada: quando e como é que os professores, que estão ou venham a integrar a nova estrutura da carreira, vão ser ressarcidos pelo facto de não ser considerado o tempo total de serviço efectivo?

Aguardemos pelos próximos capítulos…

14 thoughts on “Navegar na onda do descontentamento e a correcção das iniquidades.

  1. …«Predizer uma solução parlamentar, que vergasse o PS impondo-lhe uma solução que aprouvesse as reivindicações dos professores, é um exercício demagógico que visa navegar na onda da insatisfação dos professores em geral e dos mais prejudicados em particular. Percebo que alguns movimentos de professores e um conjunto de sindicatos menos representativos de professores tenham cedido à tentação de capitalizar o descontentamento geral, mas nenhuma destas organizações estará em condições de afirmar a garantia de uma solução mais vantajosa para os professores em consequência de um acordo parlamentar entre os partidos da oposição.»…
    Deixa-te de maquiavelismos Miguel, porque podes estar a chamar demagogia aos que pura e simplesmente quiseram e querem dar VOZ E CUMPRIMENTO ao que os 150.000 por mais de uma vez reivindicaram e tu sabes bem que não reivindicaram um”Entendimento 2″ pois o Entendimento1, pura e simplesmente rejeitaram-nos e com que força!!!
    Sinto mas não quero crer que estás demasiado comprometido com um Acordo que não serve os professores(as) e muito menos a Educação. Sempre te disse e direi que o José Sócrates Pinto de Sousa é o mesmo primeiro-ministro que era antes e isso não vai mudar a política que ele fez e faz em relação à educação e aos professores. Senão, e só a título de exemplo, olha a demagogia e o populismo deste fim de semana com a renovação do parque escolar.
    Outra coisa que me faz muita comichão nos neurónios é a Função Pública. Então é agora que vêm dizer que o SIADAP não serve e não presta?! Porque não se juntaram a nós, Professores, numa Frente Alargada de protesto quando o Pinto de Sousa era primeiro-ministro com maioria?! Mau, mau, não me ponham a desconfiar que há dirigentes sindicais com medo da luta dos trabalhadores para segurar, sei lá eu o quê… Existem para congregar ou para dividir? Para servirem ou se servirem servindo outros interesses que não os das classes que representam?!! Ando a ficar muito confuso com tudo isto, mas de uma coisa tenho a certeza: ESTE ACORDO NÃO SERVE OS PROFESSORES E A EDUCAÇÃO. Não é com sorrisos que lávamos mas é com sorrisos que somos enganados.
    Tenho dito.

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    1. E até admites que há professores prejudicados!!! Mas afinal que acordo é esse que até prejudica professores!!! Ninguém pode sair nem ser prejudicado pela política irresponsável daquele que é agora e foi na altura o responsável por essa política: José Sócrates. E não me venhas falar de demagogia, pois então vou fazer um acordo onde uns são prejudicados e outros nem por isso?! Que é isso?!!!!

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      1. “Sinto mas não quero crer que estás demasiado comprometido com um Acordo que não serve os professores(as) e muito menos a Educação.
        Agora fizeste-me rir, Jorge.

        É evidente que estou comprometido: Estou comprometido com a lucidez e com a equidade,… penso eu de que. 8)

        Não vou levar a tua provocação a sério até porque tu sabes muito bem que estou num dos escalões mais penalizados com a transição: Em 2005 encontrava-me no do 8º escalão e manter-me-ei no 6º por mais alguns anos. Agora não me peças para contribuir para o fado das lamechas e da auto-compaixão. Para esse peditório não dou!

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        1. Gostei da tua resposta, Miguel, principalmente por mostrares lucidez e equidade na arte que empregaste para com lamechice e auto-compaixão teres dado a grande esmola ao peditório do fugir com o dito cujo à seringa. Muito bem! É, pois, dessa massa que se fazem acordos com sorrisos…

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    1. O teu radicalismo pequeno/burguês de fachada socialista, faz de ti um contra/revolucionário ao serviço do poder. O acordo é uma cedência/vitória para novas portas se abrirem, é que há necessidade de continuamente dialogar/negociar/marchar/paralisar – Março – e aparecer, aparecer sempre! É a política do patamar a seguir. Como é bonito a direita e parte do PS afirmar a vitória dos sindicatos e o recuo total de Sócrates! É que esta malta acredita mesmo no que diz. Não estragues o combinado:)
      Qualquer dia o PS retoma a maioria absoluta, e a necessidade da luta radicaliza-se!

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      1. Para ti também, Zé Manel 8) Agora falando sério: Traduz-me lá esse politiquês como se eu fosse mesmo muito lerdo. Presumo que este comentário é dirigido ao Jorge. Estou enganado? Abraços aos dois.

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        1. ZÉ Manel, enquanto aguardo a tradução do teu linguajar, comento a parte mais clara do comentário: Dizes que “Qualquer dia o PS retoma a maioria absoluta, e a necessidade da luta radicaliza-se!”
          Creio que a radicalização da luta ocorrerá durante a execução do actual modelo de avaliação. Um modelo inexequível, como se provará, só poderá suscitar a revolta e a radicalização da luta. Com ou sem maioria absoluta do PS, com ou sem alternativa ao PS.

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          1. Este acordo pode ter contribuído para Sócrates alcançar a maioria absoluta em eleições antecipadas ou no fim do mandato. E por consequência, o novo governo ter a tentação de recuperar “reformas” passadas, obrigando a novas batalhas, mas com tropas fragilizadas e dispersas, deixando ao núcleo duro um papel ingrato: radicalizar a sério ( piquetes, greves de zelo, etc).

            Quer acredites ou não este acordo matou a quase unanimidade: nunca mais terás, grevistas do CDS, PSD e muito docente PS. Os professores vão entrar no cada um por si, à excepção dos 30% ( + ou -) de sempre.

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            1. Mesmo que se cumpra a hipótese do absurdo de Sócrates recuperar a maioria absoluta, seria difícil retomar o sentido da mudança imposta por MLR pela simples razão de que o acordo implica ainda mais o PS na medida em que é co-responsável pela alteração dos seus próprios diplomas.
              Agora se fosse obrigado pelo parlamento a inverter o sentido da marcha e depois recuperasse a maioria absoluta, acredito que seria mais fácil retomar o papel da música 😉

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        2. O Jorge leva com o epíteto de “esquerdista”, pois está contra o acordo.
          Há necessidade de “assinar” para o ME continuar a abrir pequenas janelas e dar oportunidade aos sindicatos de aparecerem a reivindicarem a alínea b),c) e d) de outro diploma ou por vezes do mesmo. O patamar: o que era mau, passa a suficiente e acaba no bom, se comparar-mos com o degrau inferior há anos passados.
          Não se percebe que uma certa direita e algum PS fale em recuo total do governo, só o afirmam por motivos tácticos, isto é, fazer crer que o acordo foi tão bom para os professores com a ideia de os fazer parar.

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          1. Ok, ok, Agora já acompanho o teu raciocínio e concordo com a ideia de que os acólitos neoliberais começam a ficar preocupados com o começo da inversão da reforma de MLR. Mas é necessário alguma cautela porque ficamos todos mais enfraquecidos quando disparamos para dentro das trincheiras.

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            1. É precisamente pelo que afirmas, Miguel, que eu já não digo mais nada e enfio até às orelhas o epíteto de esquerdista com que o Zé Manel me mima. já não gostei muito do radicalismo pequeno-burguês com que me brindou “ad introito”, por me ter quase feito virem as lágrimas aos olhos: que saudades do tempo da UDP, não é Zé Manel?!!! Na verdade, o que realmente me preocupa são as canhoadas dadas para dentro das trincheiras. Essas sim, neste momento preocupam mesmo. Venha a avaliação como previsto de dois em dois anos. Fica já ssente que eu vou pedir aulas assistidas pois quero o excelente. Penso que não estarei sozinho nesta exigência.
              Um abraço aos dois.

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