O Linux que eu defendo para a Escola.

Defendia eu no texto precedente que nos faz falta Ubuntu na profissão docente! A IC desafiou-me a aclarar a minha ideia angelical explicando o como. Como é que os atributos – simples, seguro, discreto e… grátis fazem muita falta na profissão docente?

Começo pelo último atributo para reafirmar a minha convicção de que não há sistemas grátis assim como não há almoços grátis. Apesar do Linux apostar em software gratuito, é imperativo manter o hardware actualizado. Uma Escola grátis não tem de ser uma Escola pobre. O maior investimento terá de ser realizado nos suportes físicos e humanos – o hardware, para que a cultura possa ser impregnada nos alunos por intermédio da Educação (escolar) – o software. A gratuitidade que o Estado deve garantir para a Educação não dispensa uma aposta clara no sistema escolar. Bom e barato? No olhinho… Bem, escuso-me a terminar a frase e reproduzir a expressão de uma feirante, no mercado do Bolhão, depois de uma cliente insistir no abatimento ao preço do produto.

É por este motivo que defendo uma mudança no sistema operativo e estou desejoso pela metamorfose do sistema escolar. E porquê? Por tudo aquilo que tenho defendido neste cantinho e que passo a sintetizar: a escola mercantil, sim, esta escola (neo)taylorista que o senhor Pinto de Sousa nos quer impingir, castrará as novas gerações daquele património cultural mínimo que qualquer Escola tem o dever de ministrar. Esta é a primeira mudança operativa que ambiciono para a “minha” Escola. E até suspeito que há um projecto de escola capaz de inverter o rumo que foi traçado por uma casta de burocratas neoliberais. Essa Escola poderia ser a Cultural ou outra Escola qualquer que bebesse da filosofia da Escola Pluridimensional que foi “inventada” por MFPatrício. A mudança de sistema operativo não requer apenas uma mudança de filosofia. Reclama também uma mudança organizacional: Desde a organização do currículo, que deverá ser predominantemente orientado para uma formação geral de saberes embora nos anos terminais da escolaridade secundária se admita um “cheirinho” de especialização – uma espécie de antecâmara da formação profissional; à formação contínua de professores que deve estar centrada nas escolas e determinada pelas necessidades efectivas dos professores mas sempre desligada das contendas de carreira; às questões da afectação dos recursos que não poderão depender de modismos, dos Magalhães e de outros populismos eleitoralistas; de uma gestão escolar democrática que se borrifasse para os referenciais do economês e se preocupasse com os referenciais pedagógicos que, paradoxalmente, adornam a Lei de Bases do Sistema Educativo; de uma cultura docente menos balcanizada e mais cooperativa, mais responsável e menos esquiva às questões da Política;…

É este o Linux que eu defendo, IC! 🙂