Títulos facciosos e a credibilidade jornalística.

Sindicatos. Topo da carreira para "bons" professores é insuficiente para chegar a acordo.

por Kátia Catulo, Publicado em 17 de Dezembro de 2009  

De quem é a responsabilidade do título é para mim secundário. Não terá sido certamente um talhante ou um cabeleireiro a titular a peça jornalística. Foi um jornalista. E quem escreveu o título da notícia sabe, porque o corpo da notícia é inequívoco, que o topo da carreira não é acessível a “bons” professores enquanto persistir a teimosia do governo concretizada com o sistema de quotas. Logo, o topo da carreira para “bons” professores pode ser suficiente para a FNE chegar a acordo [se o governo abdicar do sistema de quotas que impedirá o acesso de “alguns” “bons” professores ao topo da carreira]. E podendo ser suficiente não é insuficiente para chegar a acordo, certo?

Nem o subtítulo da notícia põe a nu a falácia de que os sindicatos são insaciáveis na negociação ao dizer-se que o “Governo não abdica das quotas, mas aceita mais docentes nos escalões salariais de topo. A cedência não convence os sindicalistas”. Casmurros, digo eu… 8)

É evidente a intenção d@ jornalista de fazer deslocar para os representantes dos professores o ónus de um eventual fracasso negocial. É para mim evidente que @ jornalista tomou o partido das posições do governo e abdicou do seu dever de imparcialidade. É evidente que este tipo de jornalismo, não sendo credível, é um mau jornalismo; logo, é um jornalismo dispensável.

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2 thoughts on “Títulos facciosos e a credibilidade jornalística.

  1. adkalendas 19/12/2009 às 09:44 Reply

    Caro Miguel
    Ainda não vi nenhuma proposta aceitável, nem por parte do governo nem dos sindicatos. Não conheço a proposta do Bloco, mas irei procurar e consultar.
    No entanto, tendo discordado do sistema imposto pela antiga Ministra, não concordo com a ausência de um sistema de avaliação, nem com a atribuição da mesma classificação a todos, o que significaque qualquer sistema, na minha opinião, implicará sempre diferenças no acesso a determinados escalões. Sem quotas, sim, embora este últim ponto me pareça mais um desejo no domínio da utopia, num mundo perfeito que não existe…

    Quanto ao jornalismo da peça, concordo que é tendencioso, mas há algum jornal que não o seja? Pena é que não esclaeçam logo a suaposição de partida e enganem os leitores com uma pseudo-neutralidade.

  2. visiense 20/12/2009 às 10:44 Reply

    Caro Miguel, também eu me indignei (talvez pela hora e o dia em que esteja a escrever…) com uma peça jornalística. Convido-o a ler, pois à partida, dir-me-íam que não tem nenhum mal, e que até é bom este tipo de notícias sair. No entanto, há muito que me salta a tampa com imperfeições, parcialidades, certas frases tendenciosas, de muitos jornalistas. E pior que isso tudo, saber que a maoria dos jornalistas responsáveis pela secção de educação não percebem um “cu” do assunto…

    http://candidatoaprofessor.blogspot.com/2009/12/ministerio-perde-20-mil-docentes-dos.html

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