Carne para canhão

Nao_Voto_PSDispensaria o dia de reflexão. Se as campanhas eleitorais servissem para esclarecer os eleitores, para lhes apresentar as propostas do partido ou coligação, o dia de reflexão não serviria para grande coisa. E seria dispensável num processo mais racional, mais elevado, mais introspectivo, mais solitário, talvez menos festivo, menos psicótico. A decisão seria tomada com antecedência, seria ponderada face à substância dos argumentos apresentados e à coerência das propostas. Ora, como todos bem sabemos, as campanhas eleitorais visam apenas inebriar o eleitorado para lhe que lhe seja extraído o votozinho, de preferência sem dor, se possível com prazer. O esclarecimento das diferentes(?) propostas políticas são, deste ponto de vista, meros rituais de campanha a que nenhum partido dá verdadeira relevância. Até no caso dos debates televisivos, onde supostamente deveriam ser dissecadas todas as propostas dos partidos com representação parlamentar, prevaleceu a simulação ardilosa dos diferentes actores.

É por isso que os partidos políticos, sem excepção, não prescindem das técnicas de marketing político para convencer o eleitorado (disse bem, convencer, que é usado aqui com o sentido de iludir). Mas não sejamos ingénuos: a turba não dispensa este tipo de festa. Sei que me ponho a jeito para o rótulo de elitista ou de reaccionário. Paciência. Mas não me convenço que uma nação culta daria uma esmola para este festim.