O que fazer com os movimentos?

Terminado o ciclo tenebroso da educação portuguesa (espero eu), há que fazer contas à vida. Os movimentos de professores foram excelentes catalisadores da luta durante este período e a questão que o Ramiro coloca é pertinente: O que fazer com os movimentos? Nada, criar um sindicato verdadeiramente independente dos partidos ou uma ordem?

Das hipóteses que o Ramiro enunciou falta a hipótese da dissolução dos movimentos. Presume-se que o vírus da educação terá sido exterminado e que os movimentos podem regressar a um estado de latência… vigilante.

A segunda hipótese – o nada fazer com eles – admite-se que se mantêm as mesmas lógicas de mobilização, os mesmos meios, os mesmos actores. Convenhamos que isso implicaria um esforço insuportável para os seus líderes e os meios são finitos como se sabe.

A terceira hipótese – a criação de um sindicato – aponta-se para a pluralidade sindical. Hummm… se os movimentos não foram capazes de constituir um único movimento, se o máximo consenso dos movimentos é o acerto de uma data para uma acção de luta, é altamente improvável que se juntem para formar um sindicato. Além das dificuldades endógenas ainda temos o problema da fragmentação sindical: mais um sindicato? Se o motivo para um novo sindicato é a pretensa independência partidária há sempre sindicato já constituído que emergiu pelos mesmos motivos. E oferta não falta: há oferta para todas as sensibilidades.

A quarta hipótese – a criação de uma Ordem. Criar uma Ordem significa impor uma ordem. Fartos de prescrições, de mandos e desmandos, os professores portugueses precisam de sossego. Poupem-nos, por favor.