Os “Endireitas” da Educação Física

Lera a notícia no Público e fiquei apreensivo. Esperava uma reacção da APPEFis (Associação Portuguesa de Professores de Educação Física) que está encerrada para férias desde o dia 6 ou da SPEF (Sociedade Portuguesa de Educação Física). Nada. Hoje o Expresso deu-lhe um pequeno destaque no fim da página 14. Percebo a reacção da Associação das empresas do sector porque a nova lei é geradora de entropia. Estranho o silêncio da comunicação social e das associações de classe.

“Os monitores, treinadores pessoais e directores técnicos dos ginásios terão de ser licenciados em Ciências do Desporto ou ter uma habilitação equivalente. Assim o exige o diploma aprovado esta semana pelo Governo que dá um prazo de 90 dias para os profissionais sem licenciatura (o negrito é meu) requerem “o reconhecimento das suas competências” junto do Instituto do Desporto de Portugal. A Associação de empresas do sector quer a revogação da nova lei.” (Expresso, 8 de Agosto)

Se é positiva a ideia de “ordenar” um sector que funciona numa espécie de baldio, propício a todo o tipo de experimentalismos, o conceito das “Novas Oportunidades” para o ensino superior abre um precedente cujas repercussões ainda não foram devidamente percebidas pelos opinadores consagrados. É que bastará um portefólio bem recheado e um conjunto de evidências de anos e anos de prática a “virar frangos” para justificar uma licenciatura, um mestrado ou um doutoramento. Que interpretação estranha do paradigma bolonhês!…

Já estou a imaginar a reacção da Ordem dos Médicos se o primeiro “endireita” decidir reclamar a licenciatura em medicina; ou a reacção da comunicação social se uma cartomante requerer o doutoramento em Pscologia Aplicada.