Qual a estratégia de luta para o final do ciclo governativo?

EPQJá estive mais entusiasmado com a ideia de uma mega manifestação em final de mandato. Defendi esta ideia depois de perceber a obstinação do ME sempre e cada vez mais atado à sua estratégia de dominação da classe docente. Foi no rescaldo da manifestação de Maio e a contribuição deste evento para os resultados eleitorais negativos do Governo (presumo, obviamente, a indivisibilidade do partido do Governo com o Governo e com o candidato Vital do Governo) que apontei para a necessidade de uma nova mega manifestação de professores. Adivinhara nessa altura uma réplica dos efeitos de uma nova contestação, isto é, uma nova derrota eleitoral do PS. Relembro que a Manifestação de Maio ocorreu após um período relativamente longo sem contestação o que pode ter sugerido que existia um lastro de esmorecimento e de resignação dos professores. O número de manifestantes desfez essa hipótese e demonstrou ao ME e à opinião publicada que a relação do ME com os professores terminaria como começou.

A meu ver, foi a percepção de balcanização irresolúvel que terá levado os responsáveis do ME a caminharem firmes e hirtos (como uma barra de ferro) em direcção ao abismo, como se cada dia fosse o último dia da governação, como se cada “negociação” fosse a última negociação da equipa, como se o amanhã não existisse. Vejo sem surpresa, portanto, a intransigência do ME em todas as matérias sujeitas a negociação com os sindicatos.

A imagem do ME na opinião pública agravou-se. O último episódio público protagonizado pela equipa governativa a respeito das bolsas para os alunos do secundário ridicularizou a imagem do governo, descredibilizando-o fatalmente. Mais achas na fogueira poderão fazer virar o feitiço contra o feiticeiro. Mais achas na fogueira podem fazer despontar num certo eleitorado não professor (para os eleitores professores as acções de luta serão dispensáveis, digo eu) aquele sentimento de pena e de comiseração que por vezes nos faz tomar o partido dos mais fracos numa contenda desigual.

Não se trata de depreciar a equipa maravilha ou de a considerar arredada de uma vitória eleitoral. Nem tão pouco se trata de pensar que este PS é incapaz de renascer das cinzas depois de ter feito tudo para se queimar. Nada disso. Trata-se de encontrar a melhor estratégia de luta para o fim de ciclo governativo.

Vamos considerar, como hipótese académica, que o governo renasce das cinzas depois das férias. Que o ME abre um novo concurso para professores titulares e que passa para a opinião pública a ideia de que com este “nova” medida os professores foram reconquistados. Serão utilizados os números, previsivelmente elevados, de candidatos ao concurso para demonstrar essa reconciliação. E que até os opinadores mais consagrados acreditam na propaganda. Será que a plataforma sindical tem a sua máquina oleada? Será que é possível montar a tenda em Lisboa em apenas duas semanas? Há trabalho de casa para as férias? Os delegados e os activistas estão a ser preparados para o que der e vier?…

[reedição]

4 thoughts on “Qual a estratégia de luta para o final do ciclo governativo?

  1. Regressei hoje depois de 15 dias longe de computador, estou desactualizada em relação aos teus posts e também descansei da tv. Só um pequeno comentários sobre falares em “nova derrota eleitoral do PS”. Nunca votei nele (nem em nenhum partido à sua direita), mas sabemos que as alternativas possíveis de vitória eleitoral são só duas: PS ou PSD. E não tenho memória curta sobra Manuela Ferreira Leite. Este ME foi um desastre e é preciso que MLR desapareça. Mas… cuidado com a alternativa PSD e as suas promessas hipócritas! Na minha opinião, o pior são as maiorias absolutas, mesmo que as relativas causem alguma instabilidade governativa. Não concordas?

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  2. Qual a estratégia de luta para o final do ciclo governativo?

    Também considero que uma manifestação de professores em Setembro pode “virar o feitiço contra o feiticeiro”. Para mim, a nossa melhor estratégia de luta vai ser o VOTO. Mas entretanto não podemos ficar fechados no circuito interno dos nossos blogs. Temos que passar à acção no nosso mundo real. Temos que intervir activamente junto do nosso círculo social. Temos que motivar todos a votar porque todos vão ser necessários. Pais, avós, tias velhotas, primos e sobrinhos… mas também o taxista, o senhor do café e a senhora da praça…

    Esta é a estratégia de luta que eu já estou a adoptar.

    Cuidado, para quem acredita que a coisa já está garantida!!!

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