Tiros na água.

«[A adesão foi menor] relativamente ao que estávamos à espera e face ao número que conseguimos juntar no dia 15 de Dezembro, mas isto também reflecte a desorientação em que muitos professores estão, face ao tipo de resistência que lhes está a ser pedida nas escolas, nomeadamente pelas direcções dos sindicatos, sem que ao mesmo tempo haja uma perspectiva de continuidade da luta», afirmou o coordenador à TSF. (in: TSF)

Os movimentos de professores que hoje organizaram uma concentração de professores em frente ao Palácio de Belém não digeriram a fraca mobilização de colegas. Ao invés de procurar as causas da fraca mobilização de professores dentro de portas, Mário Machaqueiro prefere culpar as direcções dos sindicatos pelo fracasso da luta.

Eu prefiro não me desviar do essencial:

1. Já se percebeu que o professorado está focado e imerso no seu trabalho diário e que não é afoito à iniciativa política.

2. Não é possível vencer uma batalha política sem a acção política. E a acção política deve ser consertada, não pode ser voluntarista e inconsequente.

3. Os sindicatos de professores são as únicas organizações socioprofissionais que reúnem as condições mínimas para manter um braço de ferro com o governo em tempo útil, isto é, até às próximas eleições.

4. Os sindicatos só podem enfrentar este governo se tiverem a disponibilidade dos professores para a luta. Muitos professores estarão fartos de política e de luta política! Mas este não é o momento para esmorecer. E sem querer passar uma esponja pelos problemas mal resolvidos entre os professores e os sindicatos, direi que é preciso fixar o alvo central da contestação neste governo. Nas reuniões sindicais a realizar nas escolas há que intervir, participar, eventualmente pressionar as direcções sindicais para agirem de acordo com as deliberações tomadas nessas reuniões.

5. Agora, mais do nunca, é fundamental apoiar as iniciativas dos sindicatos e reforçar o seu poder negocial. Sobretudo agora que chegamos à discussão do essencial: o ECD.