Balcanização de carreiras

“Tem faltado ao professorado uma dimensão colectiva, não no sentido corporativo, mas na perspectiva da “colegialidade” docente. Não me refiro a dinâmicas voluntaristas de colaboração, mas sim à instauração de culturas e rotinas profissionais que integrem esta dimensão. A literatura sobre os professores tem vindo a produzir conceitos que aproximam esta idéia (partilha, cooperação, equipas de trabalho, ensino por equipas, desenvolvimento profissional, investigação-acção colaborativa, regulação coletiva das práticas, avaliação inter-pares, co-formação e tantos outros), mas é ainda longo o caminho a percorrer, no plano do pensamento científico e na acção concreta nas escolas.” (António Nóvoa)

Continuo a beber das excelentes fontes que nos são propostas pelo JMA. O texto que hoje me convocou à reflexão foi escrito por António Nóvoa:Os Professores na Virada do Milênio.”
A ser verdade que tem faltado ao professorado uma dimensão colectiva na perspectiva da “colegialidade” docente, num tempo em que as dinâmicas voluntaristas de colaboração disfarçavam a ausência de culturas e rotinas profissionais que integram essa dimensão, o que nos reserva o futuro? Observando com alguma atenção o mosaico de relações pós divisão da carreira (professores titulares e não titulares), sinto que a balcanização de carreiras agravará ainda mais a ausência de “colegialidade”.
Que bom seria se o agravamento desta situação pudesse ser evitado com os apelos à solidariedade nas salas de professores ou com os lembretes que enfatizam a necessidade da acção colectiva e que acabam por morrer nas caixas de correio electrónico.