Uma definição de demagogia:

Quando uma prática desmente a retórica.

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, apontou hoje, no Porto, “a qualidade, diversidade e equidade” como os desafios do sistema de ensino em Portugal.

Não é difícil concordar com retóricas da equidade e da qualidade. MLR tem razão quando diz que depois das suas políticas é cada vez mais urgente impregnar o sistema de ensino em Portugal de qualidade e de equidade. MLR sabe muito bem que a retórica política sem uma prática que a valide é um exercício de pura demagogia. Por essa razão é que MLR, responsável por uma política que distribuiu, perversamente, os professores por duas carreiras, devia ter algum pejo ao pronunciar-se sobre a equidade no sistema de ensino. Porque não foi capaz de corrigir os desvios iníquos das suas políticas, MLR perde credibilidade e autoridade para projectar o futuro do sistema de ensino. Ou não?

Uma questão de fé.

“ A luta partidária o que é? Nenhum partido se distingue dos outros pelas ideias que professa. As ideias são sempre as mesmas – poucas, pequenas, mas idênticas. Os partidos têm para as ideias dos seus gastos um mealheiro comum sebento de velhice, de economia e de miséria. O que estabelece as distinções, o que assinala as diferenças, o que suscita os combates, e o que resolve as vitórias é a intriga.” (EÇA DE QUEIRÓS)

Não acredito nas teses maquiavélicas de arranjos parlamentares para se fazer cumprir o que tarda em se fazer cumprir: a suspensão da ADD. Não acredito que a suspensão da ADD seja provocada pela acção parlamentar, na sequência do projecto do CDS/PP que será votado em plenário, no dia 23 do corrente. E não acredito porque nada mudou desde a última tentativa de suspensão da ADD: São os mesmos protagonistas e o mesmo cenário de convulsão nas escolas. Assisti, em directo, à discussão dos projectos do PSD, BE e Verdes. Recordo uma discussão direccionada para as tricas e remoques parlamentares, com oradores pouco ou nada preocupados com a coerência da argumentação. Vi, no cimo da tribuna, parlamentares emproados que discursavam apenas para si e para os seus pares, servindo-se de uma retórica inócua que em nada difere da bazófia de taberna logo após um jogo da bola. É para isto que apelam e se desejam as maiorias parlamentares? Para dar guarita aos detractores da nobre luta política, da negociação e da persuasão pelo argumento?

Fantoches!