Carne para canhão.

“No que se refere às expectativas profissionais dos alunos inquiridos, boa parte dos alunos considera vir a desempenhar profissões prestigiadas e qualificadas. No entanto, uma grande proporção de alunos não sabe que profissão terá aos 30 anos, algo que surge bastante relacionado com situações de fracas expectativas escolares e com os alunos dos cursos profissionalmente qualificantes, em especial os alunos dos cursos profissionais e dos cursos de educação e formação.”

Esta é uma conclusão do estudo “Estudantes à Entrada do Secundário” elaborado pelo Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação (GEPE) e que (me) suscita maior apreensão, apesar de eu ter chegado à mesma conclusão pela observação directa. Poder-se-ia pensar que os alunos revelam já um espírito bolonhês de adaptação à mudança porque encaram a empregabilidade como algo de volátil e a exigir uma predisposição para a aprendizagem ao longo da vida. O que seria, desde logo, um bom ponto de partida na entrada dos alunos para o ensino secundário. Mas não será bem isso que esta conclusão sugere. O que a conclusão sugere é que os alunos dos cursos profissionais e dos cursos de educação e formação não escolhem os cursos em função da sua vocação. Bem pelo contrário: serão os cursos a escolher os alunos.