Um novo fôlego!

Estive ausente da blogosfera durante 5 dias e com o afastamento compulsivo acabei por perder o ritmo da discussão. Mas nem tudo se perdeu: Acompanhei, em directo, o debate parlamentar dos projectos do PSD, BE e PEV para suspender a avaliação docente e assisti a um espectáculo de péssima qualidade: a discussão propriamente dita não existiu porque a maioria parlamentar escolheu o exercício demagógico, como se estivesse num cenário de campanha eleitoral, para enfatizar os méritos da obra feita pela equipa de MLR, ao invés de discutir o que resta do modelo.

No dia em que regresso à vossa companhia, aguardo com alguma expectativa as conclusões da reunião dos conselhos executivos reunidos em Santarém que decidiram desenterrar a cabeça da areia. Um bem-haja pela coragem e atrevimento de desafiar a tutela.

Adenda: «Os 139 presidentes de órgãos de gestão de escolas hoje reunidos em Santarém decidiram elaborar um manifesto, a entregar “pessoalmente” à ministra da Educação, contendo a sua posição sobre o modelo de avaliação dos professores.

Numa reunião em que chegou a ser “ponderada” a demissão em bloco de todos os presidentes de conselhos executivos (PCE) presentes, estes acabaram por decidir deixar essa discussão “para outra altura”, nomeadamente para o caso de a resposta ao seu manifesto não os deixar “mais tranquilos”.
[…]
“Maria João Igreja, presidente do conselho executivo do Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano, de Santarém, disse, no final da reunião, que se prolongou até cerca das 18:00, que os PCE decidiram “reforçar a posição do Conselho de Escolas, pedindo a suspensão do modelo de avaliação”.

Este pedido sustenta-se no facto de considerarem que não é possível levar [este modelo] por diante, mesmo simplificado, porque recaiu nos conselhos executivos todo o trabalho e responsabilidade de o aplicar e porque foi retirada a componente científico-pedagógica, que retira a essência da sua função“, disse.»

[in: http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/3f0ab06ccc22b143794862.html]

A meu ver, os PCE agiram acertadamente ao pedir a suspensão do modelo antes da suspensão em bloco, apesar de todos saberem que a ministra ignorará o apelo. E agiram bem por duas razões: por um lado, recairá sobre o ministério o ónus da irredutibilidade negocial e da teimosia estéril; por outro lado, o espectro da demissão generalizada fará ampliar os efeitos da greve de 19 de Janeiro.