Este é o tempo em que os homens renunciam

Este é o tempo
Este é o tempo
Da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os homens renunciam.

Sophia de Mello Breyner
in Mar Novo (1958)

Ao longo dos últimos meses, foi relativamente fácil disfarçar a ausência de bravura e a falta de convicção na defesa de causas até aí consideradas justas. Com acções de luta relativamente inócuas, movimentos de grupo miméticos, nomeadamente, as acções de rua em períodos pós-laborais, os abaixo-assinados de protesto, as tomadas de posição colectivas propondo isto e aquilo, enfim, era perceptível uma enorme predisposição para a luta indolor.
A irredutibilidade do ME que se materializou na prossecução das suas políticas de hostilização da classe docente teve como consequência o endurecimento da luta dos professores que viram aumentado o risco da exposição individual: perdas de salário através da participação em greves e a necessidade de incumprir a lei (não entrega dos OI) por razões de superior interesse público.
Isto vem a propósito da aprovação de um documento, que foi assinado por uma esmagadora maioria de professores na minha escola, onde se disse Não! à falácia da avaliação do desempenho docente: para quê cumprir um formalismo inútil?

Não deixa de ser surreal que os avaliadores, alguns dos quais visivelmente jubilosos, deixem de exercer a sua função divina por falta de… avaliados. 😉

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