O que vale um amuo ministerial?

Sou um defensor da negociação. Contudo, não creio que possa haver negociação sem fixar limites do negociável!

Dois anos lectivos atípicos, uma enorme convulsão escolar cujas consequências são imprevisíveis ao nível dos resultados educativos, enfim, a entropia generalizada no sistema escolar foi o resultado de uma estratégia desastrada deste governo que prescindiu da negociação a favor da imposição. O governo nunca pretendeu negociar as suas “reformas” e o saldo da governação é, a alguns meses do final da legislatura, profundamente negativo. Seria um erro ainda mais lastimável se o governo não aprendesse com os seus equívocos: as políticas gestionárias autocratas não são, de facto, compatíveis com o interesse público!

A ministra já reconheceu alguns erros. Acabou de anunciar um conjunto de paliativos para minimizar alguns dos problemas que foram insistentemente denunciados pelos professores e as suas organizações representativas. Os mesmos que antes haviam protestado contra a inércia do ME mantêm os protestos e solicitam a suspensão do modelo de avaliação porque o consideram inexequível. A ministra repete as mesmas cenas do passado, mantém a mesma atitude anti-negocial e parece ignorar os avisos.

A plataforma de sindicatos abre, uma vez mais, a porta à negociação e estabelece os limites daquilo que considera ser negociável: Suspender o sistema actual de avaliação e iniciar um processo negocial para traçar um novo sistema a aplicar no próximo ano.

Pergunto se não será uma perversão ter de aguardar pelas consequências deste modelo iníquo e inexequível em vez de atacar já as suas causas só para não ter de melindrar a senhora ministra e a maioria que nos governa?

Qual o limiar da radicalização da luta?

Este texto do JMA suscita um problema de difícil resolução: Saber o que, aos olhos da opinião pública, faz ou não sentido.

Politicólogos, sociólogos, comentadores mais ou menos experimentados em correntes de opinião, não faltarão especialistas a lançar o seu olhar, prospectivamente, sobre o modo como se forma a opinião dos públicos. Sem dispensar a comunicação social, os políticos vão saltando de nenúfar em nenúfar, de projecção em projecção, sobre o que pensa a opinião pública, até ao dia do juízo final – o dia das eleições. E enganam-se muitas vezes. Alguns conseguem acertar o seu passo e o seu percurso em função daquilo que pensam sobre o que pensa a opinião pública do percurso que fazem. Outros não!

Na luta dos professores contra este modelo de ADD, a radicalização da luta pode fazer sentido aos olhos da opinião pública. O problema é saber qual o limiar da radicalização da luta; Qual o ponto de viragem da opinião pública.

Estamos no domínio da crença. E porque à radicalização da luta subjaz uma razão substantiva, a justiça, acredito que há que continuar a radicalizar a luta esperando que a opinião pública valide a acção. Porque há pontes que se erguem em terrenos inóspitos!