Tiros na água.

“Um conselho de amigo aos sindicatos: meçam forças com a ministra, não meçam forças com os professores. Os movimentos difusos vieram para ficar, vão acabar por vencer, e se nessa altura os sindicatos estiverem do lado institucional (ou seja, o da ministra) vão ficar entre os derrotados. Não peçam aos professores que se juntem a vocês: juntem-se vocês aos professores. Marquem a manifestação para o dia 15. E se quiserem pôr-se à frente, nós até deixamos, como deixámos a 8 de Março.” José Luiz Sarmento

Retomo um comentário do colega José Luiz Sarmento no blogue do Francisco Santos para aclarar um dos equívocos que têm marcado inúmeros comentários no recente diferendo movimentos /sindicatos de professores.
O comentário do JLSarmento aparentemente conciliador é parcial quando coloca nas mãos dos sindicatos a solução do problema da conciliação entre movimentos e sindicatos de professores. Aliás, este comentário pode servir de padrão para o diferendo que foi artificialmente criado entre professores para permitir a necessária catarse dos problemas, designadamente, a deterioração das condições de trabalho e dos climas de escola. O deslocamento do foco da contestação pode ser explicado pelo autismo do ME que não tem permitido aos professores purgar a agonia que marca o seu dia-a-dia. Como José Gil tão bem notou, o ME deixa intactos os meios de contestação mas faz desaparecer o seu alvo (institucional). Paradoxalmente, os sindicatos acabaram por representar esse alvo e o protocolo de entendimento foi o pretexto para centrar a contestação.

Os conflitos inter-pares que extravasam as paredes da escola e são focalizados nos sindicatos terão sido a solução artificial encontrada para a catarse de frustrações profissionais.
Esta é a razão de fundo que fez emergir uma cascata de recomendações aos sindicatos, mais ou menos paternalistas, agora transformados em bodes expiatórios
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Será legítimo então que me interrogue sobre o alcance de tais recomendações e se elas não revelam o profundo estado de alienação colectiva em que nos encontramos.

Para relembrar…

O processo de implementação do modelo de avaliação não está a correr bem! Todos os intervenientes, avaliados e avaliadores, PCE e burocratas, todos já perceberam que o modelo é inexequível. Ainda a procissão vai no adro e a contestação nas escolas vai num crescendo de revolta aparentemente irreversível: Pedidos de suspensão do processo pelos C. Pedagógicos, abaixo-assinados e tomadas de posição de grupos e departamentos disciplinares, atestam isso mesmo.

Os conselhos executivos parecem remetidos a um silêncio… conivente, deixando bem claro que não estão interessados na contestação, alguns por convicção, outros por temor.

O Conselho de Escolas… alguém sabe do paradeiro do Conselho de Escolas?