Um breve olhar sobre o modelo alternativo de avaliação de desempenho – FENPROF

Como sugerira aqui:
1. Qualquer proposta alternativa de avaliação do desempenho docente, venha ela de onde vier, da FENPROF, da FNE,… deve ser analisada e discutida nas escolas buscando O MAIOR CONSENSO POSSÍVEL antes de ser fechada e apresentada ao ME como A Proposta Alternativa [de Avaliação do Desempenho dos Professores] à proposta imposta pelo ME;
2. Depois de conhecida a base de trabalho, há que procurar eliminar eventuais excrescências e determinar com clareza o que importa conservar na proposta.

A FENPROF decidiu, e bem, responder às posições de contestação com uma alternativa de avaliação de desempenho docente. Apraz-me constatar que não há vestígios dos piores vaticínios que serviram de mote, durante algum tempo, a uma intensa discussão na blogosfera docente.
Gostei de ler que esta alternativa requer outro quadro de referência. É “Uma alternativa que não é compatível com o paradigma de escola que tem vindo a ser imposto, antes exige um contexto diferente em que a gestão seja democrática, em que a carreira docente não esteja dividida, em que os horários de trabalho sejam adequados à actividade pedagógica a desenvolver, em que a formação contínua se ajuste às reais necessidades dos docentes e dos projectos educativos das escolas…

Gostei de me rever nos pressupostos e princípios que estão subjacentes à alternativa apresentada pela FENPROF. Considero que existe um bom ponto de partida para as discussões intra-muros!
Mãos à obra!

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15 thoughts on “Um breve olhar sobre o modelo alternativo de avaliação de desempenho – FENPROF

  1. Paulo Ambrósio 08/10/2008 às 20:40 Reply

    Refere o colega que “constatou que não há [nesta proposta da FENPROF] vestígios dos piores vaticínios que serviram de mote, durante algum tempo, a uma intensa discussão na blogosfera docente.”

    Só não há porque a tenaz colaboração vigilância e mobilização democráticas de vários quadros sindicais do SPGL/FENPROF conseguiram matar no ovo os intentos corporativos/conservadores furtivamente vertidos nas primeiras versões do documento – oriundo do sector político-sindical minoritário derrotado no IX Congresso da FENPROF.

    A proposta para debate hoje apresentada à Comunicação Social só comprova que esta vigilência e luta titânica de quase 10 meses valeu (mais uma vez) a pena. Para os interessados recomendo a leitura comentada das perigosas versões anteriores em http://www.saladosprofessores.com/index.php?option=com_smf&Itemid=62&topic=14360.0.

    Paulo Ambrósio

  2. fjsantos 08/10/2008 às 21:07 Reply

    Miguel,
    tb fiz uma leitura relâmpago e deixei a minha opinião inicial aqui:
    http://fjsantos.wordpress.com/2008/10/08/a-proposta-de-avaliacao-docente-da-fenprof/

  3. ramiro marques 08/10/2008 às 21:20 Reply

    Também saúdo a iniciativa. Vamos debatê-la.

  4. jv 08/10/2008 às 21:38 Reply

    Era por aqui que tudo deva ter começado. Apresentar uma alternativa. Mas mais vale tarde do que nunca. Agora só depende de nós. Mãos à obra.
    1ª reflexão: é fulcral insistir na avaliação da escola como organização. Os inputs ao dispor da escola produzem outputs. Pois bem venha a avaliação externa avaliá-los, medi-los.
    2ª reflexão – a avaliação do professor deve começar pela autoavliação.
    3ª reflexão – a avaliação deve ser global – relatório crítico. As grelhas devem aplicar-se á escola e não aos professores.
    4ª reflexão….quem é que avalia de dois em dois anos….ter-se-ão esquecido que na escola há alunos?!!

  5. anahenriques 08/10/2008 às 21:40 Reply

    A iniciativa é muito boa.

    Ainda bem que “me” – “nos” ouviram.

    Vou participar no debate.

  6. Paulo G. Trilho Prudêncio 08/10/2008 às 22:21 Reply

    “Mãos à obra!”

    E temos feito outra coisa 🙂

    Abraço do Paulo Prudêncio.

  7. Miguel Pinto 08/10/2008 às 23:01 Reply

    Paulo Ambrósio
    Posso inferir, então, que não há razões para duvidar da “democraticidade” interna na FENPROF? 😉

    fjsantos
    Já li o teu texto e pude constatar que lemos a situação do mesmo modo. 🙂

    Ramiro
    Importa atrair os professores para a discussão. É que a proposta final não será exequível se não for acolhida pela esmagadora maioria dos professores.

    Jv
    Estou genericamente de acordo com as suas reflexões.

    Ana
    É fundamental melhorarmos a proposta. Há que procurar dinamizar o debate interno: todos seremos poucos. Eu irei fazer a minha parte 🙂

    Paulo Prudêncio
    A blogosfera deve entranhar-se na escola situada 😉

  8. setora 17/10/2008 às 15:35 Reply

    Porque raio temos nós que apresentar propostas de avaliação alternativas mais ainda sabendo que o que se pretende com a avaliação é impedir os profes de progredir na carreira? O ministério avançou com um processo que gerou o caos. Que o retire se não é o caos que pretende. A nós compete-nos repudiar o processo e trabalhar com os alunos. A senhora ministra que engendre outros métodos.
    Como podemos aceitar a exigência de perfeição nesta arte de ensinar que não pode ter medida?

  9. Miguel Pinto 17/10/2008 às 16:48 Reply

    “Porque raio temos nós que apresentar propostas de avaliação alternativas…?”

    Existirão várias respostas para esta pergunta, setora. Basta-me apenas uma: A profissão professor não é uma profissão qualquer. Requer profissionais de pensamento. E um profissional de pensamento não basta dizer que não quer, deve ser capaz de dizer exactamente o que quer. É um imperativo ético fazê-lo!

  10. setora 18/10/2008 às 16:33 Reply

    Olhe, Miguel, o que eu quero é que me deixem fazer aquilo que me compete e que gosto muito de fazer – tentar que os alunos aprendam.
    Concordará que esta avaliação não serve em nada a qualidade do que fazemos. Pelo contrário. Está à vista o desastre a que conduz. Está inquinada na base.
    Se todos pudéssemos fazer o que nos compete estávamos no bom caminho. Nunca disse em lado nenhum que todos os professores são excecionais. Os meus professores, e eu sou muito velha, variaram entre o excelente e o mau. Mas nas escolas há coordenadores, há conselhos pedagógicos que tinham por obrigação apoiar o trabalho dos professores de modo a que ele fosse o melhor possível. Não é a construir grelhas absurdas que prestam esse apoio. Há conselhos de turma e, já que como diz somos gente de pensamento, seriam um bom centro para na saudável troca de experiências avançarmos todos.
    Sabemos que em algumas escolas, não sei se muitas se poucas, esses órgãos da hierarquia fazem exatamente o contrário do que deviam. Apoiam os professores “baldas”, os que nada se ocupam e preocupam com os alunos. Querendo ficar bem no retrato para a ministra, as medidas que vêm tomando nada têm a ver com pedagogia mas com exaustão. Estão agora excitados com toda esta mesquinhês porque sempre viveram dela.
    A nossa profissão não é uma profissão qualquer – diz o Miguel. Pois não, é a melhor do mundo – estamos com gente, gente a crescer – digo eu. Os centímetros que vão ganhando podemos medir. O que lhes fica nas cabeças é de medida “complicada”.

  11. setora 18/10/2008 às 16:39 Reply

    Reli os anteriores comentários e continua de pé a minha pergunta. Se nada mudou no que fundamenta esta avaliação, se está inquinada nos seus propósitos, por que vamos adiantar alternativa?
    Vamos voluntariamente pôr os nossos pescocinhos nesta guilhotina?

  12. Miguel Pinto 18/10/2008 às 16:51 Reply

    setora
    Peço desculpa por não perceber as perguntas. Queres tentar aclarar?

  13. setora 18/10/2008 às 17:07 Reply

    A pergunta é simples. Expliquem-me por que temos de adiantar um processo de avaliação alternativo se nada mudou nos seus inquinados pressupostos.
    Qualquer processo que os professores, sindicatos, engendrem vai servir para torpedear a progressão na carreira e para dividir arbitrariamente os professores. Quotas, titularidaes, nada mudou.
    Assim, por que havemos de ajudar a esta missa?

  14. Miguel Pinto 18/10/2008 às 17:20 Reply

    Se bem entendi a pergunta, a proposta de avaliação apresentada pela FENPROF parte de pressupostos diferentes daquela espécie de avaliação que nos foi imposta pelo ME. Parte do pressuposto que a avaliação não deve depender das questões laborais e de carreira. Impõe-se assim a alteração ao famigerado ECD e o regresso à carreira única. Mas como disse na entrada, a proposta é apenas uma base de trabalho que deve apontar um caminho para o que queremos para a profissão.

  15. setora 18/10/2008 às 17:30 Reply

    Então vamos pela ordem adequada. Primeiro anular essas iniquidades. Depois poderemos discutir avaliações. Antes disso, não dou qualquer esmola para essa obra.

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