Produzir a ambiguidade – uma solução para o problema da sobrevivência profissional.

Simplificar para combater a burocracia, definir objectivos minimalistas que correspondam a práticas correntes, reduzir as grelhas ao mínimo absoluto. Estas são algumas sugestões do JMA que visam garantir a sobrevivência profissional face ao processo de avaliação do desempenho docente.

As sugestões são benignas mas não suficientemente claras para ultrapassar a ambiguidade conceptual que o próprio modelo de avaliação encerra.

Esta limitação acaba por fazer emergir a pergunta:
Será que este repto à simplificação, cada vez mais propagado na escola, ao invés de revitalizar a confiança dos actores situados não estará a gerar ainda mais entropia no sistema por não existir uma ideia suficientemente consensual sobre o significado de simplificar?

Não ouço nenhum professor defender a complexificação do processo de avaliação, apesar dos resultados expressos nas grelhas de avaliação, algumas vezes, sugerirem o contrário. As pessoas querem simplificar mas não sabem como se simplifica. Por falta de respostas, por inconsistências várias, por receio de entrar em conflito com a norma externa, o problema acaba por gerar instantaneamente a sua própria resposta: a produção da ambiguidade faz com que as normas pareçam mais consistentes.

Eis a solução: produzir documentos ambíguos!

Houvesse confiança nas pessoas e nos processos situados e nenhuma escola teria problemas com a avaliação do desempenho.