Dia do cheque – Um paradoxo.

As concepções pessoais de competência referem-se a conjuntos de crenças ou teorias pessoais acerca das possibilidades de alcançar o sucesso e das formas de evitar o fracasso, em contextos de realização escolar.
As concepções pessoais de competência são fundamentais na promoção da aprendizagem e do desempenho dos indivíduos, são influenciadas, na sua construção e desenvolvimento, pelos vários contextos de existência: o nível sócio-económico de pertença (NSE), o género, família e a escola.
A forma como os sujeitos interpretam as situações de realização, constituem aspectos da motivação ou conjunto de concepções ou teorias pessoais acerca das possibilidades de ter sucesso, das formas de evitar o fracasso e das qualidades necessárias para atingir um e evitar o outro. Falamos do nível das explicações ou causas que apontam para os sucessos e os fracassos; do modo como antecipam os resultados de realização; da desistência ou persistência perante obstáculos e dificuldades; dos objectivos de realização que prosseguem; e das avaliações da sua inteligência.

A PERSPECTIVA DAS CONCEPÇÕES PESSOAIS DE INTELIGÊNCIA DE DWECK:
Dweck investigou a conceptualização de duas concepções pessoais de inteligência (crenças implícitas e diferenciadas acerca da sua natureza):

  • Uma concepção ESTÁTICA – envolve a crença de que a inteligência é um traço global e estável, limitado em quantidade e portanto incontrolável. Os sujeitos que adoptam esta concepção, acreditam que possuem uma quantidade fixa e específica de inteligência e que os resultados obtidos a permitem avaliar.
  • Outra concepção, denominada de DINÂMICA E DESENVOLVIMENTAL – envolve a crença de que a inteligência é susceptível de desenvolvimento através de esforços e investimentos individuais, portanto controlável. Os sujeitos que adoptam esta concepção de inteligência, centram-se mais na promoção do seu desenvolvimento do que na sua demonstração.

No fim da escolaridade básica os indivíduos parecem perceber os aspectos fundamentais de ambas as concepções, mas tendem a orientar-se preferencialmente para uma delas.

Os sujeitos com diferentes concepções de inteligência parecem adoptar objectivos de realização diferentes:

  • A concepção estática promove a adopção de objectivos centrados no resultado, mais susceptíveis de proteger a imagem pessoal;
  • A concepção dinâmica promove a adopção de objectivos centrados na aprendizagem, mais adequados à promoção da competência.

Existem dois padrões de realização (comportamentos, cognições e afectos) que não dependem das suas capacidades reais e que surgem de uma forma diferenciada perante os fracassos:

  • Um dos padrões caracteriza-se pela escolha de tarefas desafiadoras e por elevados níveis de realização e persistência perante os obstáculos – os sujeitos que adoptam este padrão de realização são designados como ORIENTADOS PARA A MESTRIA.
  • O outro padrão caracteriza-se pela fuga às situações percebidas como difíceis e pela deterioração da realização perante o fracasso – os sujeitos que adoptam este padrão são designados como ORIENTADOS PARA O FRACASSO.

A investigação dos processos psicológicos que estão subjacentes à manifestação destes dois tipos de padrões de realização conduziu à conceptualização de objectivos de realização centrados no resultado versus centrados na aprendizagem.
Assim podemos dizer que os objectivos de realização estão na base da adopção dos diferentes padrões de realização: OS OBJECTIVOS CENTRADOS NO RESULTADO PROMOVEM OS PADRÕES DE DESISTÊNCIA, ENQUANTO OS OBJECTIVOS DE REALIZAÇÃO CENTRADOS NA TAREFA PROMOVEM PADRÕES DE PERSISTÊNCIA.
Os objectivos centrados na aprendizagem implicam a preocupação em adquirir e dominar novos conhecimentos e competências, enquanto os objectivos centrados no resultado implicam a preocupação em obter juízos favoráveis de competência e evitar juízos desfavoráveis da mesma.

Como é possível alguém pactuar com o disparate, para não lhe chamar algo bem mais contudente, da iniciativa do Dia do Prémio?