Sem articulação curricular não há (mega) departamentos.

A decisão da criação de mega departamentos não é ilegal, como muito bem demonstrou fjsantos, desde que essa decisão emirja da autonomia das escolas:

  1. O DL 200/2007 criou 4 departamentos apenas para efeitos do 1º concurso de professores titulares;
  2. O DL 75/2008, genericamente referenciado como decreto da gestão, remete a questão (criação de departamento) para o âmbito da autonomia das escolas e alega a ausência de dignidade constitucional de um decreto regulamentar para regulamentar um decreto-lei.

Sendo legal a criação de mega ou micro departamentos, por que motivos nos havemos de opor ao reordenamento dos já existentes?

O Ramiro refuta a ideia da criação de mega departamentos disciplinares e usa 4 argumentos que valem para rejeitar não só a criação de mega departamentos como a própria ideia de departamento:

  1. [Nos (mega) departamentos] Cabem coisas tão distintas como por exemplo, educação especial, educação física, música, educação visual;
  2. [A criação dos (mega) departamentos denota uma] Insensibilidade do legislador face à importância dos saberes disciplinares e consequente destruição dos grupos disciplinares como estrutura intermédia de organização pedagógica;
  3. [A criação dos (mega) departamentos irá] Abrir caminho ao professor faz-tudo e professor generalista no 2º e 3º CEB;
  4. [A criação dos (mega) departamentos reflecte a] Infiltração crescente no 3º CEB e no ensino secundário dos métodos de trabalho e esquemas organizativos adequados ao Pré-Escolar e ao 1º CEB.

Após a aceitação tácita da criação de departamentos disciplinares pelos professores e associações representativas dos professores, que remonta ao ano de 98 (Decreto-Lei n.º 115-A/98, de 4 de Maio), não é fácil justificar os ímpetos expansionistas dos departamentos disciplinares [independentemente de se perceber que esse ímpeto expansionista foi motivado por uma pretensa racionalidade gestionária] com argumentos de natureza conceptual. Bastará admitir que a criação de mega departamentos preservarão a identidade de cada grupo disciplinar e que esta crença pode ser sustentada pela negação dos argumentos apresentados pelo Ramiro:

  1. As coisas da educação especial, educação física, música, educação visual não são tão distintas;
  2. A criação dos [mega] departamentos não desvaloriza os saberes disciplinares;
  3. A criação dos mega departamentos não abrirá caminho ao professor generalista no 2º e 3º CEB;
  4. Os métodos de trabalho e esquemas organizativos do Pré-Escolar e ao 1º CEB também podem ser adoptados no 3º CEB e no ensino secundário.

A meu ver, não é pela via da incongruência conceptual que resolveremos o problema da criação de departamentos, macro ou micro. É pela via da aplicação do modelo que se demonstrará a falência do mesmo. De facto, à ideia dos departamentos disciplinares subjaz uma ideia de articulação curricular. Ora, será necessário demonstrar, e isso não será nada complicado, que não há uma escola que fosse capaz de implementar uma articulação curricular consistente.

Se em dez anos não foi possível resolver o problema da articulação curricular, para quê insistir num modelo falido?

Elos que libertam.

A Isabel e o Henrique nomearam este cantinho dando continuidade a uma corrente que, paradoxalmente, liberta e enreda: liberta a tensão instigada por um poder político pouco sensível às realidades situadas e, simultaneamente, enreda os actores numa teia de interesses recíprocos.

Esta corrente levar-me-á a destacar sete blogues brilhantes.

Correntes http://correntes.blogs.sapo.pt/

Da escola http://daescola.wordpress.com/

Conversamos?! http://conversamos.wordpress.com/

Abnóxio http://abnoxio.weblog.com.pt/index.xml

Anterozóide http://antero.wordpress.com/

Revisitar a Educação http://revisitaraeducacao.blogspot.com/

(Re)Flexões http://fjsantos.wordpress.com/

Quando seleccionamos acabamos por excluir: O foco da luz acaba por remeter uma porção do alvo à penumbra. Ora, não me apetece nada deixar na escuridão os blogues que fazem parte do meu círculo de amizades blogosféricas, que só não ficaram no centro do destaque porque ofuscariam todos os outros ao seu redor. Refiro-me aos blogues dos meus confrades:

IC http://msprof.blogspot.com

Tsiwari http://4thefun.blogspot.com

Crsitina http://poalha.blogspot.com

Teresa http://blogicament.blogspot.com/

Henrique http://edutica.blogspot.com

Matilde http://ocantodovento.blogspot.com

13za http://talvezpeninsula.blogspot.com/

3za http://tempodeteia.blogspot.com/

JMA http://terrear.blogspot.com/

Ana http://somaisumaprof.blogspot.com

Presumo que os blogues do Ramiro http://www.profblog.org/ e do Paulo http://educar.wordpress.com/ não brilhariam mais depois de uma polidura tão singela.