Nim…

«A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) rejeitou a proposta do Ministério da Educação por considerar que, ao nível do pessoal não docente e do parque escolar, “nem todas as preocupações tinham resposta garantida“».

A notícia da guerra entre o ME e a ANMP suscita no professorado reacções ambivalentes. Até parece que vivemos imersos num mar de contradições, interpretadas, muitas vezes, pelo desfasamento entre o desejável e o possível. Enquanto um observador exterior verá uma resistência à mudança, nós vemos uma atitude homeostástica.

Vejamos: O ME, o tal molusco hediondo cujos tentáculos se estendem até à sala de aula, é acusado de tudo querer controlar, limitando a autonomia profissional, coarctando a iniciativa dos professores, só (?) para não perder o controlo ideológico da escolarização. Quando decide descentralizar competências para o poder local, territorializar políticas educativas, alto lá! Descentralizar sim mas ainda não estão garantidas as condições, isto é, o poder local ainda não é de confiança, as redes de caciques estão de “pedra e cal”. Descentralizar com este poder local, não!

Se por um lado é desejável acabar com o grande polvo, por outro lado ainda não é possível porque ao poder local subjaz a lógica dos cefalópodes.
Em que ficamos? Afinal, @s senhor@s professor@s querem o quê?

(Imagem: http://ocheirodalua.blogspot.com/)

5 thoughts on “Nim…

  1. Gostaria de ver o Miguel a defender a Gestão da Escolas pelos Professores e não pelos burocratas, ou tecnocratas, que foi sempre quem mandou~no sector. Agora pior. Estar nas “mãos” do poder central ou de um qualquer poder local, vai ter ao mesmo. Ou pior, considero eu.

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  2. Miguel
    A Educação é algo que tem dimensão nacional e por isso acho que deve estar a esse nível. No caso português acho que há motivos acrescentados que já foram expostos por muitos para que não aconteça uma municipalização da Educação. Só que dizer que a Educação deve ter dimensão nacional ao nivel do Estado não quer dizer um polvo centralizador.

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  3. Ana
    Tenho sido um crítico da “tecnocracia gerencialista” e não defendi, na entrada anterior, uma transferência de competências para as autarquias. O que me limitei a fazer foi uma provocação, talvez uma autoprovocação, com o intuito de poder aclarar as minhas ambiguidades, que serão as ambiguidades de muitos outros professores.
    Admitamos a descentralização de competências do ME para as escolas e pensemos num cenário em que a gestão das escolas deve ter uma responsabilidade situada, isto é, que os professores directores (órgão unipessoal ou colegial) passam a mandar nas escolas. Quem presta contas a quem, Ana?

    Henrique
    Admitamos que a Educação deve ter uma dimensão nacional. Como responder às necessidades educativas locais? Defendes uma escola de formato único?

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  4. Concordo com o Henrique. E penso que a Educação ter uma dimensão nacional ao nível do Estado não impede necessariamente que se responda às necessidades educativas locais (estou a usar as vossas palavras). Não haverá que aprofundar (e talvez alargar) a ideia de “gestão flexível do currículo”, considerado este no seu sentido mais lato?

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  5. Miguel, nas escolas só poderão existir duas carreiras. A de professor e a de direcção de estabelecimento ou Agrupamento. Porque não é criada a carreira técnica de direcção com concursos a que podem concorrer professores de carreira e que terão depois uma formação especializada (nada de eduqueses ou outras trapalhices do género) na área da gestão técnica pedagógica, de gestão de grupos, de direcção afinal?
    Abrem vagas a nível nacional para a direcção de escolas. Carreira técnica.

    Existem 5 direcções operacionais no país, descencentradas. O problema desta 5 direcções regionais é que os directores regionais são de escolha política e não técnica, de alta gestão e competência e mérito reconhecido. Deixem de o ser.

    E bastava o departamento governamental, com gabinetes de assessorias tecnicas especializadas.

    Uma boa Inspecção.
    Está tudo. Creio.

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