Exames

Faço minhas as dúvidas do Paulo:

“São coisas difíceis de entender.

Mas para que é que servem, realmente, os exames?

Se confiamos no professor para leccionar as aulas durante o ano inteiro, porque é que no fim havemos de duvidar da classificação que atribui aos alunos?

Se o professor é mau e pode estragar os alunos, no fim o mal já está feito, com ou sem exame. Mas os alunos, que já não basta terem gramado com o mau professor, ainda têm de fazer exame para duplicar a sua azarada condição.

Se o professor é bom, bastava o processo das aulas, uma vez que os resultados dos exames nunca diferem muito da nota do professor e podem, quando muito, tramar os alunos que tiveram um dia mau.

Se o professor é assim-assim, acontece um bocado das duas coisas e estamos, por isso, conversados.

Então? Por que raio é que há exames?

Para aferir conhecimentos?

Bem, isso seriam provas de aferição e poderiam ser feitas, por amostra, e em qualquer altura.

Para os alunos estudarem mais?

Não, por aí também não podemos ir. A avaliação contínua assenta em vários exames realizados ao longo do ano lectivo. Mal do país que tem de pensar assim: ensinar, estudar e aprender tem de valer um bom bocado mais do que isso. E cada escola pode ser avaliada pela exigência e pelo rigor que coloca no seu ensino sem os exames. É mesmo decisivo que seja assim, parece-me.

Para estudos internacionais?

Bem, isso, e salvo melhor opinião, serve para alimentar tecnocratas que estão a milhas, a quilómetros, das escolas, mas têm de fazer os seu estudos. Não, para isso também não servem. Aceita-se uns testes por amostra, de quando em vez, para que o desemprego não seja praga também aí.

Para hierarquizar as escolas?

Não, já se viu que não. As escolas são, felizmente, muito mais do que examinar os saberes numa ou em duas disciplinas: e nisso, no muitíssimo mais que os exames, nem se auto-avaliam nem são avaliadas externamente; por sistema e com rigor.

Para hierarquizar os alunos na entrada para a universidade?

Claro, aí tem que ser. Mas não tem nada que ser. Já pensou nisso meu caro leitor? Há sítios em que no final do secundário a escola diz se o aluno está apto ou não e depois as universidades escolhem quem lá se matricula. Tão simples como isso.

Serão, portanto, os exames tão necessários assim?

Parece que não. O problema é outro e bem mais profundo: somos uma sociedade desconfiada e em que os média promovem um verdadeiro caldo de “conversa da treta”. E isso mina tudo: as relações entre as pessoas e a selecção dos melhores caminhos para construir o futuro.

Já por lá andámos e saímos: não tarda voltaremos. De outro modo, é seguro, já que as aprendizagens (processo demasiado desconhecido) individualizadas associadas às vantagens da ciência assim o exigirão. A escola da má burocracia morrerá aos poucos e muito lentamente, mas morrerá. As fábricas de ensino não sobreviverão. Na pior das hipóteses, os ricos pagarão a frequência dos novos módulos de ensino e os pobres arrastar-se-ão, com um controle férreo e burocrático, nas antigas unidades fabris em versão piorada: mais baratas e mas desqualificadas” (in: Correntes)

Adenda surreal: Negativas na prova de Matemática do nono ano caem quase 40 por cento num ano.
Beeemm… já parei de rir.

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