SEDES e a defesa da educação utilitarista

“Só através da dotação de conhecimentos habilitantes num mundo competitivo, se pode promover eficazmente a ascensão social, pelo que uma educação competente é o melhor, senão mesmo o único, meio de libertar duradouramente as pessoas da pobreza e das limitações da sua origem social. Por isso as atitudes de complacência e de rebaixamento dos padrões de exigência que têm dominado, nas últimas décadas, o nosso sistema de ensino são, no fundo, os melhores meios para tornar os pobres mais pobres e para perpetuar a sua situação de dependência. E não há nenhum discurso socializante que, por si só, inverta esta realidade.” (SEDES)

Equívoco 1 – A ascensão social é possível pela via dos conhecimentos.
Com a classe média a desaparecer e o número de licenciados no desemprego a engrossar, a ascensão social é uma promessa conveniente. Por um lado, a miragem da ascensão social retarda as convulsões sociais que podem ser desencadeadas pela tomada de consciência das condições de vida assimétricas e irreversíveis. Por outro lado, a miragem da ascensão social permite ao modus vivendi instalado gerir com mais folga os interesses da casta.

Equívoco 2 – A educação competente é o único meio para libertar as pessoas da pobreza.
Depreendo que o conceito de educação aqui aplicado pretenda significar uma educação escolar, eventualmente, uma formação profissional. É certo que uma educação competente não se reduz à sua dimensão utilitarista. O problema é que a formação profissional parece ser a única dimensão valorizada pelos arautos do neoliberalismo. O que me leva a inferir que a educação competente defendida pela SEDES é incongruente com a ideia de libertação.

Formalismos e esquematismos…

Por intermédio do JMA, tomei conhecimento da 4ª reunião plenária do CCPA que, entre outras deliberações, “aprovou um conjunto de recomendações sobre princípios e estratégias destinadas a promover a adequada aplicação e utilização do sistema de avaliação do pessoal docente”.
Relembro que o CCPA decidira aprovar, em reunião plenária realizada em Lisboa, no dia 14 de Março de 2008, as recomendações formuladas pela Presidente em 25 de Janeiro de 2008.

Importa saber em que diferem as recomendações agora discutidas e aprovadas das recomendações aprovadas pelo CCAP em 14 de Março do corrente ano. Não busco uma resposta retórica. Nem pretendo ironizar sobre o processo desconexo da criação do CCAP. Quero apenas perceber o grau de fechamento ou de abertura dos princípios que enformam a avaliação. Quero perceber se as recomendações agora produzidas incorrem ou não no erro da “complexificação”.