A voz do dono?

“ «Não há uma única escola que tenha pedido a suspensão», afirmou Maria de Lurdes Rodrigues […]
Admitiu que há «manifestações de preocupação» e «desejos de não concretização da avaliação» manifestado por alguns professores individualmente, grupos de professores ou mesmo conselhos pedagógicos, mas sublinhou que isso não pode ser confundido com a posição da escola.

«Nenhum conselho executivo de qualquer escola pediu a suspensão da avaliação.» […] ”

Os conselhos executivos, sem excepção segundo a ministra, fizeram ouvidos de mercador aos inúmeros apelos directos oriundos das comunidades educativas [representadas nos conselhos pedagógicos e assembleias de escolas]. Pergunto, com que legitimidade? Como foi possível não dar voz às vozes que os elegeram? Por carreirismo, por medo? Que ideia é esta de representação? Os conselhos executivos representam a escola ou será o ME representado pelos conselhos executivos?

Se dúvidas houvesse sobre o papel que está reservado ao futuro director, aqui temos uma evidência!

Resumo da reunião dos dois secretários de estado com os PCEs de Lisboa

Deixo uma saudação especial para o Ramiro Marques. Bem-haja.

“04-Abril 2008 – reunião sobre avaliação do desempenho…Hoje fui a uma reunião em conjunto com todos os presidentes CE e membros das comissões de coordenação de avaliação de toda a drel) com o Sr Pedreira e o Sr Valter Lemos sobre Avaliação docente, gestão e formação. Chegámos… entrámos… uns sentaram-se em cadeiras outros nas escadas…no chão…(várias dezenas!) porque não cabiam todos… Já é a 3ª vez que vou a uma reunião destas (com altas individualidades do ME) em que os profs se sentam no chão…uma vergonha!!! A reunião estava marcada para as 10h… começou às 10h30. Estivemos cerca de 2h a ouvir o sr Pedreira explicar-nos através de uma sessão de powerpoint o dec 2/2008… (como se nós não conhecêssemos a sua fundamentação teórica…) a importância de sermos avaliados… o facto determos DIREITO a uma avaliação…etc etc…Seguiu-se um momento onde os presentes poderiam colocar dúvidas… e os srs Lemos e Pedreira escreveram… escreveram para depois esclarecerem…Houve quem agradecesse ao blog do colega Ramiro Marques a partilha de instrumentos de registo e a ajuda a tantas dúvidas que vão surgindo…(Foi um aplauso de agradecimento generalizado!) No meio das dúvidas… faltou a pilha ao micro portátil… então o Sr Lemos sugeriu que fizéssemos um pequeno intervalo…Após o reinicio da sessão o Sr Lemos lá foi dando umas respostas-novidades atabalhoadas… já que quem tinha colocado situações concretas ficou na mesma… ou seja: “o CE terá de encontrar a solução mais adequada”… 🙂 Entretanto ficámos a saber que, na próxima semana, vai sair mais um despacho sobre as quotas de cada parâmetro da avaliação… e depois outro sobre a avaliação de quem não tiver componente lectiva… Por isso…
meus caros não se apressem porque o chorrilho ainda não terminou. Ahhh… mas o mais giro foi a conclusão…O mínimo dos mínimos de avaliação que as escolas terão de fazer é a avaliação aos contratados e que consiste em: Ficha de auto-avaliação e ficha do PCE-dados objectivos: assiduidade, avaliação dos alunos. As escolas que conseguirem fazer mais… devem fazer… porque algumas estão a avaliar todos os docentes já este ano… e isso é trabalho que não se lhes pode dizer para deitarem fora…Ah!… e mais disse o sr Pedreira: “Os instrumentos de registo que as escolas estão a elaborar… é preciso não esquecer que não são documentos escritos em pedra…podem e devem ser alterados quando e sempre que necessário…” Agora elaboram uns mas no inicio do próximo ano pode haver novos elementos e o processo é um processo aberto…(gostaram? esta foi gira…mas vem aí outra…)Disse também o Sr Pedreira: “o facto de este modelo de avaliação ser complexo… (e aí foi uma gargalhada geral… seguida de intervenções do tipo…Ahhh! afinal sempre é complexo!!!) ao que o Sr Pedreira confirmou:”Sim… o ME reconhece a sua grande complexidade…é um sistema complexo…nós reconhecemos…mas agora cabe aos Conselhos Executivos e às escolas simplificá-lo!!”Lindo! E nessa liiinda reunião (onde fomos postos na rua às 13h28m) porque a sala só estava disponibilizada até às 13h30… por isso teriam de terminar a reunião e sair…

Professora que esteve presente na reunião

Comentário meu
Afinal, ainda há muitos PCEs que resistem e que não calam a mágoa que lhes vai na alma.”

Adenda: eheheh… a Maria Lisboa também foi à missa. Pode ler aqui: http://professorsemquadro.blogspot.com/2008/04/foi-vez-das-lisboas-oriental-e.html