Nota muito breve sobre uma negociata fracassada…

Factos:
O ME negligenciou a avaliação dos professores nos últimos 2 anos e meio. Num acordar sobressaltado, o ME decidiu unilateralmente que a avaliação dos professores resolveria o problema das aprendizagens dos alunos. Num clique agitou as escolas e juntou 100 000 professores numa manifestação de desagrado. Percebeu que era necessário dar sinais de abertura. Chamou os sindicatos e aligeirou o processo para não perder a face. O movimento sindical não colaborou e disse que não legitimaria na mesa da negociação uma versão minimalista da avaliação. Como tem sido habitual, o ME recusou as reivindicações dos representantes dos professores e imporá uma versão aligeirada do modelo de avaliação.

Adenda: Se há matéria que tem suscitado um elevado consenso é a falta de oportunidade da implementação de um novo modelo de avaliação de professores. Os argumentos do ME para prosseguir com o processo de avaliação são inócuos e a versão minimalista apresentada afasta definitivamente a discussão do domínio pedagógico para a situar apenas no domínio político. Se se admite desvirtuar o modelo de avaliação por que razão não se admite suspender a sua aplicação até ao fim do ano lectivo? A avaliação dos professores passou a ser um instrumento do governo na batalha política. E é neste domínio que devemos manter a discussão. A meu ver, a posição da FENPROF de recusar legitimar a acção governativa é acertada, coerente e não defraudará as expectativas da maioria dos professores.