Acção!

No meio desta onda de contestação acabo por perder o fio à meada. É uma nova iniciativa, é um novo(?) grupo de pressão. Paradoxalmente, ou talvez não, à medida que cresce a contestação sinto cada vez mais que o que «faz falta é animar a malta» na escola situada. Vocês sabem do que falo. Se cada um de nós se deixar envolver na escola, mobilizando os colegas para a acção, actuando pró-activamente junto das estruturas de gestão… não é pedir muito, pois não? Quero acreditar que esta tertúlia blogoEsferica reflecte um determinado estilo de viver a escola. Que há dinâmica, que há uma intencionalidade em modificar o modus vivendi instalado e visivelmente rejeitado nos textos que vamos produzindo nos blogues.
Às vezes dou por mim a pensar se não seria mais útil dar mais tempo aos colegas, principalmente àqueles que prefiguram casos perdidos ao nível da acção. Para quem defende que a blogosfera docente é uma sala de professores sem muros, que os blogues são catalisadores de vontades, parecerei contraditório…

Isto vem a propósito de um novo manifesto:
Escola Pública pela Igualdade e Democracia
http://www.petitiononline.com/mudar123/

Que públicos nas doações públicas?

“Lei e contrato impedem Jardim de doar estádio ao seu clube” (Público, 6/2/08)

A doação de infra-estruturas públicas a privados exige critério, nomeadamente, que o privado garanta o cumprimento do serviço público para o qual a infra-estrutura fora criada. Gostaria de ter a certeza de que esta prática elementar de boa gestão é sempre aplicada e que os dinheiros públicos não servem para alimentar cortes de lacaios.

Não tenho qualquer reserva ideológica, ou de outra natureza, que me leve a olhar com desconfiança a partilha de responsabilidades entre o Estado e a iniciativa privada. O que me custa ver é a demissão do Estado das suas responsabilidades no momento em que delega funções e serviços aos privados. Um autarca ou um membro do governo que decida doar um bem [que não é sua propriedade], tem de garantir que esse bem chega com qualidade aos destinatários, aos cidadãos. A sua responsabilidade não termina aí. Deve criar mecanismos de controlo e de vigilância, deve salvaguardar a reparação dos danos nas situações em que o beneficiário da doação não cumpre a sua parte.

O que parece simples ao nível da retórica, a prática encarrega-se de complexificar.