O olhar da imprensa…

…ou mais vale acordar tarde?

Nenhum aluno chumba por faltas. Não há outra forma de resumir as novas alterações ao Estatuto do Aluno no segundo e terceiro ciclos (até ao 9.º ano) – aprovado com o voto único do PS — , segundo o qual é possível passar de ano mesmo sem pôr os pés na escola.

No anterior projecto-lei aprovado em Conselho de Ministros ainda havia um certo pudor. Os alunos que excediam o limite de faltas tinham de fazer uma prova de equivalência: chumbariam se não conseguissem as notas necessárias, podendo como recurso apelar aos conselhos directivos. Agora o que passa a existir é uma prova de recuperação obrigatória para os faltosos, cuja nota nada vale: os alunos passam sempre e os conselhos directivos apenas têm de preparar planos de recuperação ou atribuir castigos (mais estudo ou outro tipo de tarefas), além de informarem os pais.

Trata-se de uma medida radical justificada em nome da integração, mas que, facilmente, permite mascarar as taxas do insucesso e do abandono escolar. Ou é esta a intenção do Ministério da Educação ou então existe uma forte crença na capacidade dos alunos portugueses para que, sem frequência e com notas negativas, concluam com sucesso a escolaridade obrigatória.” (DN)

Adenda: Atentem ao desfasamento entre a retórica dos gabinetes ministeriais e a escola situada, materializado pelas palavras do secretário de estado Valter Lemos (vídeo).