Autoflagelação

Joaquim Azevedo escreveu, no recente Correio da Educação, que uma forma de transformar o Ensino Profissional num fracasso é “Aproveitar a existência destes novos cursos nas escolas secundárias, muitas delas antigos liceus, sem qualquer “cultura positiva de ensino profissional”, para remeter para lá os alunos com mais reprovações no fim do Ensino Básico, os “meninos do insucesso”, fugindo assim para uma solução demasiado fácil para as dificuldades de aprendizagem, ou seja, fugindo mais uma vez aos reptos humanos e educativos lançados pelas dificuldades de aprendizagem.

Reitero a minha concordância com o investigador e vou um pouco mais longe para afirmar que o maior risco desta lógica de acantonar os alunos num ensino pretensamente menos exigente é a legitimação de vias alternativas à escola (é uma outra forma de legitimar o ensino doméstico, JMA) por autoflagelação da escola pública.

Isto vem a propósito de ouvir alguém repetir (será uma crença?) de que é antipedagógico um professor afirmar [ou escrever em acta] que as dificuldades de aprendizagem de um aluno são insuperáveis se o aluno não se motivar para as tarefas escolares. Essa é boa: será uma blasfémia destacar a dimensão intrínseca da motivação?

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