Politiquice primária…

Por muito que lhe desagrade ser confrontado, por onde quer que se desloque, com manifestações mais ou menos espontâneas, com manifestantes mais ou menos exaltados, o primeiro-ministro deve dar ao país lições de civilidade e de tolerância democrática. É isso o que se espera de uma personalidade com sentido de Estado.
Lamentavelmente, José Sócrates tem revelado uma intolerância à crítica, principalmente à crítica sindical, como se fosse um ressabiado político primário, o que o diminui como figura de Estado.
Ao eleger os sindicatos como um alvo a abater, o primeiro-ministro hipoteca uma função do governo que se concretiza na arbitragem das relações entre sindicatos e organizações patronais. Espero que os trabalhadores entendam este sinal e as consequências para o seu futuro…
Não estou a imaginar qual seria o impacto de uma declaração análoga: o que seria se o primeiro-ministro viesse a público conotar as manifestações de desagrado de representantes de organizações patronais como uma estratégia do CDS/PP?

Inqualificável.

E como se não nos bastasse a pequena política, leio esta pérola na imprensa:

“Ao fim da tarde, em comunicado, a direcção do Sindicato de Professores da Região Centro (SPRC) revelara que decidira apresentar queixa ao Presidente da República, à Assembleia da República, à Provedoria de Justiça e à Procuradoria-Geral da República sobre a visita de agentes da PSP à delegação do sindicato na Covilhã, onde pediram informação sobre eventuais protestos a propósito da visita de José Sócrates à Covilhã, terça-feira.
Segundo denuncia o SPRC em comunicado, dois polícias “à civil” levaram consigo dois documentos de informação.
Dulce Pinheiro, dirigente sindical, disse à agência Lusa que “os agentes arrogaram-se o direito de dar conselhos”, nomeadamente o de “que tivéssemos cuidado com a linguagem, que não fosse atentatória da integridade pessoal”.”

Inequívoco.