Meio cheio ou meio vazio?

(Também) Não pude acompanhar o discurso do Presidente da República no dia 5 de Outubro. A participação nas comemorações do dia mundial do professor afastou-me da actualidade política e só consegui recuperar alguns excertos do discurso na imprensa diária do dia seguinte.
Li que uma parte do discurso foi preenchido com considerações acerca da educação e acabei confuso: jornalistas, sindicalistas e membros do governo, todos receberam com agrado os sinais lançados pelo professor Cavaco. O novo olhar que deve ser lançado para a educação serviu para legitimar ideologias, ideias de escola e posições políticas radicalmente opostas. O discurso do presidente serviu para consolar os defensores da escola pública e os defensores do mercado da educação, apoiar as acções do governo e as reacções dos sindicatos, estimular as orientações do ME e invectivar os ataques à dignidade dos professores. Todos, sem excepção, aplaudiram a retórica do presidente.

Se o essencial do que foi dito não foi percebido pelos visados, será um abuso pedir ao presidente que discurse de novo?