Arquivos mensais: Setembro 2007

A Escola obrigatória deve ser uma Escola inteira

Até ao final da legislatura, o Governo ambiciona expandir a educação e a formação de nível secundário e tornar obrigatória a frequência de ensino, até aos 18 anos de idade, mesmo quando os jovens já se encontrem inseridos no mercado de emprego.
Antevejo duas consequências desta medida:

1) A Educação Básica e o Ensino Secundário constituirão um só tronco de educação fundamental, dirigida a todas as crianças e jovens. Uma educação fundamental, válida para todos, oferecerá currículos com um curto nível de exigência, sendo inevitável, no Ensino Secundário, a segregação de vias paralelas com conteúdos diversificados (esta solução não deve ser confundida com um modelo de escola personalista). Há muitos anos que o Ensino Secundário concilia a via profissionalizante (os cursos tecnológicos estão agora a ser substituídos pelos cursos profissionais “subsidiados” pela UE) e a via de prosseguimento de estudos. A extensão da escolarização a este nível de ensino provocará uma mudança de orientação: o Ensino Secundário abandonará a tradição de ensino pré-universitário para se afirmar como ensino pós-básico. É uma diferença substantiva porque exigirá uma transformação da mentalidade elitista dos professores, expressa nos currículos e até na imagem social acerca do destino dos estudantes do Secundário.

2) Reforçará a dimensão útil da Educação. À Escola exigir-se-á que cumpra, bem, a missão de inserir os sujeitos no mundo. A Escola cuidará da força produtiva: valorizando a identidade do Ensino Secundário, que confere qualificação e certificação própria; alargando a oferta dos cursos tecnológicos, artísticos e profissionais, de forma a aumentar o número de jovens que seguem esses percursos formativos; etc., etc. Além da formação de mão-de-obra qualificada, a Escola poderá retardar a inclusão no mundo destes pré-trabalhadores e estancar o desemprego nesta faixa etária.

Todavia, uma Escola reduzida à sua missão utilitária é uma Escola pobre. Além da inserção dos sujeitos no mundo, há outras missões de que a Escola não pode prescindir: é preciso chamá-la a participar na fundamentação da democracia (e seria interessante avaliar os resultados dos projectos avulsos de formação cívica e outros quejandos); é essencial mantê-la implicada no desenvolvimento da personalidade dos sujeitos; e a prioridade das prioridades, a Escola não pode prescindir da sua missão principal: realizar a inserção dos sujeitos na cultura.
Será infundado o meu receio de que uma Escola a tempo inteiro possa ser confundida com uma Escola inteira?

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Elementar…

O gestor não deve aceitar o desafio de responsabilizar os seus colaboradores pelos resultados do trabalho individual e colectivo sem que antes forneça a informação da organização para que cada um, com e na sua equipa de trabalho, possa provocar as alterações necessárias, incluindo as alterações de práticas, para cumprir a missão que lhe foi confiada. Quanto mais elevada é a formação académica dos colaboradores, menos prescritivas serão as orientações superiores. Cada licenciado saberá aferir a credibilidade do gestor pelos dados que este disponibiliza à equipa.

Hoje ouvi algo parecido com o que acabei de escrever, proferido por um director clínico de uma instituição privada de saúde. E fiquei a pensar…

Ordem de professores…

Começou o debate no Aragem.

Acórdão histórico ou só não vê quem não quer…

Um acórdão do Supremo Tribunal Administrativo (STA) confirma a ilegalidade das normas criadas pelo Ministério da Educação que, no final do ano lectivo 2005/2006, permitiram aos alunos que foram à primeira chamada dos exames de Química e Física do 12.º ano comparecer na segunda.

O acórdão é histórico porque se traduz na defesa dos direitos das famílias. O Governo deve ser um exemplo no respeito pelas regras que ele próprio definiu.

SIMPLEX…

Afazeres relacionados com 2 CEF’s e 2 cursos profissionais (o SIMPLEX ainda não entrou na Escola) afastaram-me da blogoEsfera.

Terei perdido algumas discussões, muitas provocações,… e algumas desilusões 😉

Aguardo por melhores dias…

Expresso da semana.

Ontem, ainda hesitei antes de comprar o Expresso. Acabei por deixar os trabalhos de planificação para hoje e escolhi o sábado para me dedicar a uma leitura leve de um jornal literalmente pesado.

Passei sem parar nas historietas do costume, o caso Maddie, Scolari, e a zanga das comadres Meneses e Mendes. Li, na diagonal, as “Chinesices” do Miguel Sousa Tavares que desta vez aproveitou para zurzir no presidente da câmara de Lisboa a respeito da Chinatown e de um pretenso mau ordenamento de trânsito lisboeta (assunto que não interessa, nem ao menino Jesus), e ainda teve tempo para uma farpa para a diplomacia portuguesa acerca do recente episódio com Dalai Lama. Reparei ainda na breve notícia que assinalou a visita do Carvalho da Silva ao Presidente da República, onde o líder da CGTP partilhou as suas preocupações com o professor Cavaco, imagine-se, acerca do “total predomínio do poder económico e financeiro que tem anulado a vida política a pontos nunca vistos” (presumo que o professor Cavaco terá ficado aflitíssimo com o estado da actual situação política ;).

Até que chego a um tema que merecia outro destaque mas que só teve um cantinho (bem escondido) de página: “O Tribunal Constitucional julga mas não fiscaliza” a riqueza dos titulares de cargos políticos. António Mexia, numa imponente fotografia no cimo da página, defende que a dedicação exclusiva à política não compensa. Diz que a política é só para ricos. Acrescento eu que quem sai da política tem entrada no clube dos ricos. Mas como não quero alinhar por um discurso demagógico, sou obrigado a concordar com a tese do Mexia e até vou mais longe: proponho que se aumentem as remunerações dos titulares de cargos políticos após, repito, após, a criação de um modelo de avaliação do desempenho com mecanismos de responsabilização pelos actos políticos comprovadamente lesivos para o interesse nacional. Sem avaliação, não é possível pagar nem mais um cêntimo aos titulares de cargos políticos. A sensatez não o permite.

A conversa com a Zezinha (Maria J. Nogueira Pinto) é de uma relevância extrema já que ficamos a saber que a ex-vereadora da Câmara de Lisboa tem alternado o ócio com as férias, e que gosta de mandar, e que votou em Salazar, e que votou em António Costa. Enfim, uma conversa da treta que encheu uma página do jornal.

Um assunto que me prendeu ao semanário foi a denúncia de 18% de deputados que nunca fizeram qualquer intervenção no plenário. Não condeno os deputados que se abstêm de dizer asneiras preferindo o silêncio. É uma prova de bom senso preferir o silêncio à verborreia parlamentar. Agora, usando a máxima do nosso Governo: com o mesmo orçamento, era possível aumentar os salários dos deputados (e membros do governo por extensão) se tivessem a coragem de reduzir o número. E o trabalho das comissões, conferências e audições? Pois, e as assessorias servem para quê?

A barafunda das declarações da ministra da Educação desmentindo o secretário de estado ficou para um cantinho. Nada de novo, apenas para dizer que a ministra manifestou vontade de resolver administrativamente alguns casos de professores injustiçados no concurso para professor titular. A jornalista interpreta este recuo como uma tentativa da ministra “arrefecer a «guerra» entre a Cinco de Outubro e a Provedoria […]”. É pena que a jornalista não se questione pelas razões que levam a ministra a manter a “guerra” com os professores. E qual das duas traz mais prejuízos à Educação.

Uma entrevista a Dalai Lama ocupa duas páginas. A recusa do governo e do Presidente da República em receber o líder espiritual revela que as motivações comerciais se sobrepõem às motivações da defesa dos direitos humanos. Tiiiimmoooor….

Num dos destaques mais interessantes do jornal, o tema da sexualidade adolescente, e particularmente, a utilização de um método de combate à gravidez adolescente, é descrito com algum pormenor o implante contraceptivo. Infelizmente, o tema foi sumariamente desenvolvido (apenas 2 páginas, a foto ocupa 80% do espaço).

Até ao fim do jornal pouco há a relevar: a medalha de ouro conquistada por um jovem português nas Olimpíadas Ibero-Americanas deixou extasiado o ex-ministro Marçal Grilo e o presidente da sociedade portuguesa de Matemática, Nuno Crato, chorou de felicidade; um artigo de opinião de João Carlos Espada, que me fez rir, clamando pela liberdade de escolha das escolas, ouçam só, porque teme pela justiça social.

E como gosto de acabar as leituras com boa disposição, omito as questões internacionais e o desporto. A resma de papel que acompanha o semanário jaz ainda dentro do saco.

Intensificação…


Isto a propósito desta entrada da 3za.