Balanço…

A Escola deixou de ser aceite como um referencial de verdade, viu destruída a sua autoridade moral e desgastado o prestígio da função docente. Confrontada com a indústria do audiovisual e com os meios de comunicação de massas, a Escola perdeu não só a exclusividade da transmissão da cultura em geral e da ciência em particular, como foi ultrapassada em termos de eficácia por esses meios. Sem autoridade e sem o exclusivo, ou sequer o melhor desempenho na transmissão do saber, parece pertinente perguntar, qual o papel que ainda poderá ainda caber hoje à Escola?

Será que perdeu? Será essa perda real ou apenas percepcionada? Com que critérios avaliamos a transmissão de saber através da generalidade dos Órgãos de Comunicação Social? Será *informação* o ponto de vista particular de uma cadeia de audiovisuais pertencentes ao mesmo grupo económico? Será *transmissão de conhecimento* a propaganda astrológica e outras efabulações new age que nos são transmitidas pela televisão? Constituirá *conhecimento* o manancial de dados e opiniões disponíveis na internet mas não submetidos a nenhum sistema de verificação de credibilidade? E seria desejável que tal sistema existisse? Extrapolando, seria ou não conveniente a existência de um mesmo sistema de verificação de qualidade para a Escola – por exemplo, para os manuais escolares? Transmitirá a Escola os devidos conhecimentos e, sobretudo, os devidos valores? Deverá a Escola educar para os valores? Em caso afirmativo, que valores serão esses? A escolha desses valores e desses conhecimentos devolverá à Escola a sua posição referencial na transmissão de cultura? Constituirá isso o âmago da profissão docente? SL

Apoio à APD

A Associação Portuguesa de Deficientes é uma organização de pessoas com deficiência, constituída e dirigida por pessoas com deficiência. Enquanto organização de direitos humanos, tem por objecto a promoção e defesa dos interesses gerais, individuais e colectivos das pessoas com deficiência em Portugal.

Baseada no princípio de que as pessoas com deficiência são os peritos em matéria de deficiência, que conhecem melhor que ninguém os problemas que enfrentam e as soluções para os ultrapassar, a APD não limita a sua acção à denúncia das situações de discriminação de que são objecto estes cidadãos. Analisa, dá pareceres, apresenta soluções, por forma a influenciar as medidas e políticas em matéria de deficiência.

Do blogue do Henrique à Associação Portuguesa de Deficientes foi um pequeno passo. Acedi ao seu convite para divulgar a APD e seleccionei este testemunho, escrito na 1ª pessoa, para robustecer a iniciativa blogoEsférica.