Vitórias morais ou uma estratégia diferente?

O Henrique Jorge diz, e bem, que “os pareceres do Provedor não são vinculativos”, e pergunta, “O que é que adianta inundar o Provedor com processos?

A questão colocada nestes termos parece valorizar apenas aquilo que pretensamente produza resultados imediatos e tangíveis. Só que, paradoxalmente, uma das críticas mais certeiras ao movimento sindical é a teimosa unidireccionalidade da luta (manifestações, greves e o recurso, raro, aos tribunais). Quando se diversifica, como parece ser este o caso, e se dá visibilidade à contestação, recorrendo a outras figuras do estado, incorre-se no erro de se estar a lutar apenas por vitórias morais. Preso por ter cão e preso por não ter. Só que a luta sindical e política não se decide apenas no imediato e no domínio do confronto directo.

A meu ver, se esta acção de luta é estratégica não posso estar mais de acordo com ela, sendo necessário alargar ainda mais a frente de combate político. Como a imprensa parece ter percebido, tardiamente é certo, as incongruências e os atropelos à legalidade orquestrados por esta equipa ministerial, há que procurar navegar na onda mediática. E ao mesmo tempo que emergem as ilegalidades na tentativa de reforma do sistema de ensino faz todo o sentido prosseguir a luta nos tribunais, como tem sido sugerido, e bem, pelos sindicatos da FENPROF.

Executivos de rédea curta…

O Despacho n.º 13599/2006 (2.ª série), de 28 de Junho estabelece regras e princípios orientadores a observar, em cada ano lectivo, na elaboração do horário semanal de trabalho do pessoal docente, bem como na distribuição do serviço docente correspondente.

As alterações introduzidas ao ECD obrigaram a um reajustamento no diploma (Organização do ano lectivo 2007/2008), mantendo-se no essencial as orientações anteriores. O documento continua a revelar a faceta hiper-reguladora do ME e, indirectamente, acaba por definir um perfil para o futuro gestor escolar: fiscal da acção governativa que age sob rédea curta.
Mais do que um enunciar de princípios orientadores, este documento é, essencialmente, uma cartilha reguladora que atrofia a autonomia dos conselhos executivos. Como não há conhecimento de que este colete de forças que os executivos são obrigados a vestir os aflija sobremaneira, não serei eu a berrar pelo aperto…

hummm…. não sei por que carga de água é que me fui lembrar da estória do gestor profissional… mas já que toquei no assunto: que tipo de gestor profissional estaria na disposição de aceitar esta humilhação?