Doping disciplinar…

No enorme laboratório educativo que é o sistema de ensino, a busca das explicações para os resultados dos exames nacionais recai, inevitavelmente, em variáveis científicas, algumas das quais confirmadas pela investigação empírica.
Duas dessas variáveis obtiveram confirmação múltipla pela investigação: o ensino estruturado e o tempo de aprendizagem. A primeira variável – ensino estruturado – remete para a qualidade do trabalho docente. A segunda variável – tempo dedicado à aprendizagem – remete para o tempo efectivamente dedicado às tarefas docentes na escola e para o tempo dedicado às tarefas escolares em casa.
Não é, portanto, surpreendente que a tutela privilegie o reforço do tempo de aprendizagem no âmbito dos planos de recuperação dos resultados nos exames às disciplinas consideradas mais problemáticas (o acréscimo do tempo semanal de aula e o incremento das actividades de apoio relevam, de facto, o factor tempo de aprendizagem); assim como não é despiciente o reforço do controlo do trabalho dos professores nas disciplinas mais atreitas ao escrutínio tutelar (Matemática, Física e Química e Português, no caso nacional).

O problema que convém ter sempre presente é que o tempo escolar é finito. E o alargamento do tempo de aprendizagem numa disciplina escolar implica a redução ou mesmo a extinção do tempo de aprendizagem de outras disciplinas. Como é insustentável o afunilamento dos planos de estudo a três ou quatro disciplinas escolares, na medida em que isso atrofiaria o desenvolvimento cultural dos alunos, estes planos de acção, vitaminados, têm um tempo de actuação limitado servindo, apenas, objectivos políticos de curto prazo (não é por acaso que a melhoria circunstancial de resultados de exames sejam usados oportunisticamente pela propaganda partidária).

Impõe-se, por isso, a seguinte questão: o que fica para lá dos planos de acção de Matemática e de Física?