Outroolhar…

Os resultados da greve geral são, normalmente, enformados por uma visão maniqueísta. Não considero este olhar o mais adequado para captar a realidade dos factos, mas não posso esquecer que é neste registo que são realizados os discursos políticos: De um e outro lado da barricada contam-se as espingardas. Contas feitas, a coligação governo/patronato declara vitória obtida pela inferioridade numérica do adversário: Observámos jogadores a abandonarem o recinto do jogo antes do seu início, com as calças pelos tornozelos; outros disfarçaram lesões [ou evasões] de última hora; e os restantes temeram pela sua subsistência e alinharam pelo adversário.
Do lado perdedor, assistimos ao triste cenário de trocas de mimos entre dirigentes (sindicais), multiplicaram-se os arrufos entre jogadores e extremaram-se posições.
Do lado vencedor, as manifestações de júbilo, coisa de pouca dura, não disfarçam o nervosismo causado pelas sucessivas trapalhadas ministeriais.

É possível olhar para este fenómeno e captar uma outra face da realidade! É possível pensar que este não é um jogo de soma nula, o que significa que ambos podem vencer: Os sindicatos serão obrigados a reformar a estratégia da luta privilegiando o pulsar das bases; o governo será obrigado a reafirmar o respeito pelos direitos fundamentais, apesar de alguns sinais de sentido contrário.

Arriar as calças…

“[…] Uma leitura mais pormenorizada do que se passou ontem em todo o Estado – central, regional e local – revelará, provavelmente, algum cansaço na mobilização na sequência de outras jornadas mais entusiastas pelos mesmos motivos. O Governo, querendo, tem o campo livre para levar até ao fim a sua reestruturação do Estado. A movimentação sindical não tem força para o impedir. […]”

Vamos cantando e rindo… e cada vez mais a jeito!