Conta-gotas…

Depois de tomar conhecimento de que o ME está na disposição de apetrechar as escolas para o enriquecimento do ensino e da aprendizagem, quis perceber a dimensão da iniciativa. Em primeiro lugar, há que dizer que elogio qualquer acção que enriqueça as condições de trabalho nas escolas. Contudo, não o farei acriticamente, o que me obriga a lamentar: que estas medidas não sejam generalizadas a todo o universo educativo [porque todos os alunos merecem as melhores condições de trabalho]; que a acção governativa seja encarada como um acto benemérito e não como uma obrigação de qualquer governante. Em segundo lugar, observando os objectivos e os critérios de selecção, desagrada-me o entendimento oficial da promoção das aprendizagens restrito ao espaço – sala de aula.
O Edital é claro quanto à finalidade da medida, não obstante o palavreado redondo que adorna os objectivos. O que o ME pretende é seleccionar escolas que pretendam usar o equipamento na sala de aula ou no trabalho a ser aplicado nas salas de aula. De fora, ficarão todas as iniciativas desenvolvidas no âmbito dos clubes escolares. Se se vier a confirmar esta minha leitura, estamos perante uma acção que reforça o carácter unidimensional da escola – a escola lectiva.

É lançada a iniciativa Atribuição de Equipamentos Tecnológicos para o Enriquecimento do Ensino e da Aprendizagem, visando genericamente promover a melhoria das condições de trabalho nas escolas com 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e com ensino secundário e, especificamente, apoiar o enriquecimento das actividades em curso na escola respeitantes a uma ou mais das iniciativas do ME, no quadro do seu projecto educativo e tendo como finalidade o desenvolvimento das seguintes actividades:

Como se percebe facilmente, todas as actividades visam apoiar projectos educativos, o que dispensaria qualquer referência adicional. E por que razão se acrescentaram outros objectivos? Para disfarçar a direccionalidade desta iniciativa: a sala de aula. Creio que esta simples redundância reflecte e confirma uma visão de escola – unidimensional – que sempre se mostrou muito voluntariosa com as consequências dos problemas escolares e demasiado prudente com as suas causas.