Catarse…

Cerca de 60 jovens portugueses que passavam férias em Lloret del Mar, a 70 quilómetros de Barcelona, vão regressar mais cedo a casa, por terem causado distúrbios no hotel onde se encontravam alojados.

Esta notícia motivou um colega a sugerir, ironicamente, uma solução que aos olhos de um visitante distante dos problemas da escola podia ser facilmente conotada como um sinal de vitimação do professorado:
Senhora Ministra: será possível responsabilizar algum dos professores destes jovens delinquentes de forma a ilibá-los?

Só que há momentos em que a realidade supera a ficção. Eis um exemplo: o instante em que um editorialista do DN, diligente e incapaz de esconder a sua aversão pela instituição escolar, consegue descobrir um nexo de responsabilidade [por omissão] da escola. E não é que a solução que o colega descortinou no seu blogue encontrou eco na imprensa?

[…] Não sabem os pais para onde partem os filhos quando lhes pedem os 300 euros para a viagem? Dá a escola algum conselho, aula, folheto, experiência contada por antigo viajante de fim de curso? É inevitável que todos os anos, pela Páscoa, aquelas imagens feias, porcas e más nos entrem pela televisão adentro?

A escola, no entender deste iluminado, devia ter dado um conselho, aula, folheto, uma experiência contada por antigo viajante de final de curso. Brilhante, é o mínimo que se pode dizer deste raciocínio. Tenho pena que o brilhantismo do seu pensamento o tenha ofuscado e impedido de prosseguir o processo de atribuição de responsabilidades, que cairia, inevitavelmente, em cima da sua secretária. O que fez o seu jornal? Limitou-se a noticiar. Fez algo no sentido de informar os jovens e prevenir estes comportamentos? Ou defenderá que a comunicação social não deve ter responsabilidades educativas?… Ou será que o problema do editorialista é apenas um problema de natureza estética?

Este olhar reflecte um modo de olhar a escola. A escola, para muita gente, é um espaço de catarse social. E não é que o Antero tem razão!