Paradoxal…

É verdade, sou um homem de paradoxos, principalmente quando lido com a minha circunstância. Nem sempre a força dos argumentos e as lógicas que os ordenam determinam as minhas decisões e opiniões. Há olhares que derivam da experiência vivida e acumulada no palco educativo, que obedecem a outras lógicas, e que fundam os meus pontos de vista. Como o conhecimento bebe de várias fontes, seria insensato esbanjar e negar o conhecimento vivido e sentido; aquele conhecimento que resulta do contacto com os diversos actores que fazem a escola situada. Ora, isto vem a propósito de uma crítica que recebi do meu amigo Manel, que assinalou neste texto uma incongruência no meu discurso.
As minhas reservas à aparente descentralização do Estado central de competências para as autarquias não revelam, como se pode depreender do que escrevi, uma atitude defensiva e um receio de negociar poderes e novas formas de relacionamento entre os actores da “escola de fora e de dentro” [;o)]. Os meus receios revelam um dado inquestionável que compromete, a meu ver, o sucesso de qualquer mudança substantiva no sistema: as alterações no sistema escolar que estão a ser realizadas contra os professores afastam e não os envolvem, desresponsabilizam e não os comprometem. Ora, a meu ver, é este modo de gerir a mudança no sistema que legitima o “modus vivendi” instalado e cristalizado no interior das escolas e que balcaniza as relações profissionais. E se as minhas palavras denotam algum receio, então é este o meu receio.