Serviço público… (II)

Os professores: equívocos e fragilidades
João Barroso

“Quando os ventos de mudança se aproximam nós temos três atitudes possíveis: Uns constroem muralhas porque vêem nesses ventos uma ameaça à sua situação; outros constroem moinhos porque vêem nas mudanças o vento que alimenta as pás do moinho e que permite fabricar qualquer coisa; e há sempre aqueles que se limitam a esconder a cabeça na areia. Ora eu acho que nos tempos de hoje os professores têm de fazer as três coisas ao mesmo tempo. Há de facto nestes ventos de mudança ameaças substantivas em relação à sua condição profissional, em relação à sua missão de serviço público, e nesse sentido, portanto, deverão estar atentos e construir essas muralhas defendendo de uma visão excessivamente economicista e excessivamente mercantil a actividade da escola e a sua função de prestador de serviços educativos. E em tudo o que puserem em causa esta missão eles deverão construir muralhas. Mas, por outro lado, eles devem construir moinhos porque em muitos desses ventos de mudança há condições objectivas para que os professores sejam sujeitos de uma maneira positiva ao controlo social sobre a escola, sejam obrigados a prestar contas do seu serviço, e sejam por essa via dignificados recuperando um estatuto social que a sua situação de funcionários mesquinhos retirou há já algum tempo. E depois em relação a muitas reformas e das mudanças que só são feitas para que o nome dos ministros fique no diário da república, então eles fazem muito bem em esconder a cabeça na areia porque como se sabe as reformas pretendem mudar a escola mas na maior parte dos casos é a escola que muda as reformas.[In: IX Congresso Científico-Pedagógico da AEPEC]
[o negrito é meu]

[Pode visualizar a intervenção aqui]

Em que palco se pode e deve discutir o ECD?

Com o objectivo de tornar claro o descontentamento dos professores pela situação criada [imposição de um ECD] e de sublinhar a necessidade da continuação da luta contra este Estatuto, a Plataforma Sindical dos Professores apelou à leitura e aprovação desta tomada de posição [pode ser lida na íntegra fazendo um clique na figura], nas reuniões de final do 1º período.

Com uma intenção clara de manter o professorado desperto e pró-activo, esta medida engendrada pela plataforma sindical, foi recebida de forma distinta pelos docentes:

  1. Aceitação imediata;
  2. Aceitação retraída tendo sido questionada a legalidade do processo – será legal tratar este assunto num conselho de turma? -;
  3. Aceitação hesitante tendo sido questionada a conveniência do processo – é oportuno, é sensato introduzir este assunto num conselho de turma cujo ponto principal é a avaliação dos alunos? -;
  4. Rejeição imediata.

E você?… Tem opinião ou prefere aguardar pelas rabanadas? :))

Adenda: E por falar em legalidade de processos, esta coisa de contornar a lei empurrando os professores para aulas de substituição a custo zero [em tempos de escola] merece ser relevada e despertar os docentes mais conformados. Nenhum professor deve [no actual ECD e no futuro] pactuar com este abuso!

Pensamentos avulsos…

Garanto que não se trata de uma saudade assolapada da senhora e dos seus adjuntos. Muito menos de um desejo de a rever a anunciar miraculosas propostas… Arre…
Eu sei que o Natal dá muito trabalho… são muitos enfeites, muitas árvores espalhadas pelo grande edifício, muitos presépios, carradas de musgo… muito pisca-pisca na 5 de Outubro… muita música…

E por falar em música, se nos desligam a música, abruptamente, logo que começamos a dançar, o que é que acontece? Nós estranhamos, não é verdade?!… Eu sei que a época é para outras músicas, porventura mais lentas, mas este silêncio não é normal…

Silêncio era o que eu previra. Eu sei que não tenho queda para vaticínios. Errei nos prazos: dizia que até ao final do ano, depois do ECD aprovado, teríamos fumo branco… e os fuminhos que saem são cada vez mais negros… que sorte a nossa…;)

E não creio que o gesto pudesse ser considerado um sinal de sorte ou azar. Gostava, gostava sinceramente que um ministro da educação viesse a público desejar um bom natal para os profissionais que tutela sem que o seu gesto fosse entendido, de imediato, como um gesto de pura demagogia… Não, ainda não será neste Natal! Nem no próximo, certamente!…

E por falar em Natal… Um feliz Natal para todos os amigos, companheiros de viagem, e restantes visitantes.

Adenda: Peço desculpa aos puristas da lógica a tibieza dos pensamentos…


Adenda II: Bastou um sinal mais do Zoltrix e um destaque da emn.

Conversas de café…

O blogue KØNTRÅSTËS 2.0 está a publicar um conjunto de conversas informais mantidas via e-mail com os mais diversos bloggers. O objectivo é conhecer um pouco mais do blogger que dá vida ao blogue e abrir uma cortina para o que move cada autor de blogue.

Ora, deixo aqui mais uma ponta para me unir a essa teia imensa…

1. Sabendo que a blogosfera é uma janela para a vida cibernética, como vê o fenómeno «blogue»?
– A meu ver, o fenómeno blogue é um fenómeno social revelador de sujeitos inquietos que procuram no ciberespaço um ambiente propício para buscar soluções para um rol de problemas particulares e colectivos.

2. Quando acede à blogosfera que tipo de blogues procura?
– Quando entro na blogosfera procuro, normalmente, blogues que tratam problemas educativos. Busco olhares lançados para as singularidades da escola, do currículo, da sociedade. Busco formas de colaboração, espaços de reflexão e teias de conhecimento que permitam construir percursos alternativos para fazer educação.

3. O que o levou a criar um blogue?
– Criei o outròólhar para reflectir com mais intensidade as minhas crenças, para me dizer, me mostrar, de acordo com um quadro de valores que, através do movimento da escrita, (re)pensa sobre meu lugar social.

4. Que balanço faz da sua estadia na blogosfera e da blogosfera actual?
-Três anos depois de lançar o primeiro olhar estou bastante satisfeito como a viagem. A memória, que revisito com frequência, atesta o deslumbramento por uma ideia de escola utópica que se vai materializando, dia-a-dia, na escola situada.

5. Acha que os blogues podem substituir a imprensa online?
– Os blogues monitorizam a imprensa e são implacáveis quando ela se desvia da missão para a qual foi criada. Há zonas de grande proximidade entre a blogosfera e a imprensa online, nomeadamente, nos espaços opinativos, faltando-lhe ainda vocação para a investigação sistemática.

6. Em que medida os blogues influenciam ou influenciaram a sua vida e/ou actividade profissional?
– Utilizo os blogues para corporalizar práticas de auto-avaliação e uso-os como instrumento subsidiário da minha reflexão. Nessa medida, estou a conceder-lhes um lugar muito importante na minha profissionalidade.

7. O que faz um bom blogue?
– Não é fácil responder de modo taxativo a esta pergunta. Arrisco a enunciar um conjunto de características que aprecio nos blogues: têm de ser suficientemente apelativos e provocadores para despertar no leitor a curiosidade e a participação [que não é qualificado apenas pelo número e teor dos comentários que comporta]; têm de ser íntegros no modo como se relacionam com outros blogues ou visitantes; têm de ser actualizados com frequência [no mínimo uma entrada por semana]; têm de ser capazes de nos espantar…

Resquícios – Anedotas… que fazem chorar! Ou… quem tem olho em terra de cegos…

Porque se limita o número de professores que podem obter Excelente ou Muito Bom?

“A avaliação tem sempre em conta um determinado grau de exigência e o mérito relativo. Em qualquer grupo profissional, nem todos são excelentes ou muito bons. Se o pudessem ser, seriam o próprio grau de exigência e a definição do que é Excelente e Muito Bom que estariam errados. Além disso, os professores são classificados em comparação uns com os outros. A atribuição das classificações de Excelente ou Muito Bom pressupõe um exercício de avaliação comparativa que implica necessariamente a diferenciação.”
[o negrito é meu]

Em qualquer grupo profissional, nem todos são excelentes ou muito bons? Aceitemos como válida a hipótese atendendo ao universo em apreciação. Mas num grupo restrito de profissionais, como é o caso de um grupo ou de um departamento disciplinar, podem ser todos muito bons, excelentes, ou todos muito fracos! E não seria preferível aguardar que a avaliação contextualizada dissipasse qualquer dúvida?! Por que razão, na atribuição das classificações de BOM, de REGULAR e de INSUFICIENTE não se pressupõe um exercício de avaliação comparativa?

Será aceitável usar o mesmo quadro de referência para os alunos? Os alunos, em qualquer sistema de ensino, nem sempre são excelentes ou muito bons! Mas numa escola, numa turma, num grupo de alunos de uma turma, podem ser todos muito bons, excelentes ou péssimos. Ou não?
Será que estou a ficar lerdo?