Flexibilizar…

Apesar de respirar [é mesmo esta a expressão adequada] alguns dos problemas que afligem os professores, ainda não me senti sufocado com o espartilho horário e funcional imposto pelas recentes orientações do ME. Duas razões justificam a aparente serenidade em que me encontro:

  • A “excentricidade” dos cursos tecnológicos que me permite leccionar 3 áreas [disciplinares e não disciplinares] em simultâneo e que, cumulativamente, absorvem 18 horas lectivas do meu horário semanal;
  • A proposta do departamento disciplinar, legitimada pelo conselho pedagógico e ratificada pelo conselho executivo, que reclama a autogestão das horas relativas ao trabalho de escola.

Este estado atípico é, paradoxalmente, instigador de maior responsabilidade. Não me limito a cumprir uma função ocasional [uma substituição por exemplo] num tempo predeterminado, prefiro prestar contas pelo cumprimento de um plano de actividades, previamente avaliado pelo órgão de gestão, mesmo que esse plano exceda, como normalmente acontece, o tempo que à priori lhe havia reservado. A flexibilização do espaço e do tempo de trabalho do professor está nos antípodas das orientações prescritivas que estupidificam a função docente.

É um facto inquestionável que a rigidez da organização escolar piramidal, CENTRALIZADA e subversiva, facilita o controlo e a inspecção. Só que o formato perverte o sistema. Ao invés de ser a inspecção a ter de encontrar instrumentos de avaliação adequados à singularidade da escola, é a escola que se molda aos instrumentos de avaliação. E esta improficiência do modelo – “pronto-a-vestir” – desresponsabiliza em vez de comprometer a iniciativa e a criatividade dos professores…

Bem, não sei se hei-de rir ou chorar…