Os exames regeneradores.

“Mais de dois terços dos alunos que realizaram pela primeira vez o exame nacional de Matemática do 9º ano chumbaram na prova, revelou hoje o Ministério da Educação.”

E agora?
Face aos resultados agora divulgados sugiro uma de duas medidas [irreflectidas]:
1. Atacar a Matemática do problema através da intensificação. 4 horas diárias [no mínimo] com mais Matemática;
2. Atacar o problema da Matemática desviando-a do percurso escolar dos alunos. Aligeirar q.b. a carga horária e os conteúdos programáticos.

Esta minha proposta prepara o terreno amortecendo o choque. Ao radicalizar o meu discurso farei das reacções dos escribas da comunicação social um manual de sensatez.

Adenda:
Passe pelo blogue da Isabel, do crack e do Jorge.

Choque tecnológico – do discurso à acção.

O Público de hoje [on-line só para assinantes] quer saber o que é feito do projecto Escolas Navegadoras. De forma sucinta, e apenas para nos situar no assunto, convém dizer que este projecto-piloto começou a funcionar em três escolas [2 básicas e uma secundária] com o objectivo de criar “um novo conceito” de acesso e partilha de conhecimentos. Cada aluno tem um computador portátil, com acesso à Internet e sem fios; e os professores recebem formação para leccionar recorrendo ao computador e ao quadro interactivo [que substitui o quadro tradicional].

O lançamento da iniciativa foi da responsabilidade do governo do Dr. Santana Lopes e fazia parte do Programa Operacional Sociedade do Conhecimento [POS Conhecimento].

Terminado o ano lectivo impõe-se realizar um balanço. Segundo o jornal Público, o actual governo pouco ou nada sabe do projecto. “O Ministério da Educação remete a responsabilidade para a Ciência e Ensino Superior. Este, por seu lado, atribui competências à Unidade de Missão, Inovação e Conhecimento [UMIC] cujo responsável não quis falar ao jornal. E do programa POS Conhecimento, cujos apoios a UMIC tinha antes afirmado que iria concorrer, apenas afirmaram que não há «nenhuma candidatura aprovada»”.

Esta notícia revela:
1. Descoordenação da máquina administrativa [fertilizando o terreno da fuga às responsabilidades];
2. A inexistência de monitorização do projecto [não acautela o desperdício de recursos numa fase crítica de controlo das despesas];
3. A ausência de novas candidaturas [hipoteca a continuidade do projecto].

O que eu gostava de saber:
1. Como é que este projecto foi recebido nas escolas piloto (alunos, professores, órgãos de gestão, comunidade educativa)?
2. Qual a lógica de funcionamento do projecto?
3. Quais os efeitos nas práticas pedagógicas?
4. A alteração no modo de ensinar sugere uma aprendizagem cooperativa: o perfil do professor é ou não relevante para a viabilidade do projecto?

Descubra as semelhanças entre o projecto Escolas Navegadoras e o projecto da Escola Cultural?